Governo vê como simbólica ação na OMC contra tarifaço de Trump
Sistema de solução de controvérsias da organização está travado por falta de indicações, mas Brasil pretende marcar posição
O governo Lula vê a ação na OMC (Organização Mundial do Comércio) mais como um gesto simbólico do que como medida efetiva para frear o tarifaço do governo Donald Trump contra o Brasil.
A OMC teria o papel de arbitrar contenciosos comerciais levantados por países-membros.
Fontes pontuam, no entanto, que a organização está em crise e tem seu tribunal de apelações paralisado, desde a década passada, por falta de indicações de juízes pelos Estados Unidos.
A prática — que inviabilizou o julgamento definitivo de contenciosos em Genebra — começou no primeiro governo Trump, mas se manteve durante a gestão de Joe Biden na Casa Branca e acaba esvaziando a organização.
Sem isso, países podem adotar práticas protecionistas sem punição efetiva na OMC.
Mesmo assim, o governo brasileiro faz o gesto de levar adiante essa contestação intuito para marcar posição internacional sobre o tarifaço, que também atinge outros parceiros comerciais dos americanos, e para defender o sistema multilateral de comércio, tema frequente dos discursos de Lula no exterior.
Em novo esvaziamento da OMC, o governo americano suspendeu contribuições financeiras para a entidade, junto com o fim de aportes a outras dezenas de organizações internacionais.
No último dia 22, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros, oriunda de uma investigação do órgão que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.
Na semana passada, foram anunciados mais 12,5% em relação a uma outra apuração sobre uso do trabalho forçado pelo Brasil e outras 59 economias.



