Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Governo vê como simbólica ação na OMC contra tarifaço de Trump

Sistema de solução de controvérsias da organização está travado por falta de indicações, mas Brasil pretende marcar posição

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O governo Lula vê a ação na OMC (Organização Mundial do Comércio) mais como um gesto simbólico do que como medida efetiva para frear o tarifaço do governo Donald Trump contra o Brasil.

A OMC teria o papel de arbitrar contenciosos comerciais levantados por países-membros.

Fontes pontuam, no entanto, que a organização está em crise e tem seu tribunal de apelações paralisado, desde a década passada, por falta de indicações de juízes pelos Estados Unidos.

A prática — que inviabilizou o julgamento definitivo de contenciosos em Genebra — começou no primeiro governo Trump, mas se manteve durante a gestão de Joe Biden na Casa Branca e acaba esvaziando a organização.

Sem isso, países podem adotar práticas protecionistas sem punição efetiva na OMC.

Mesmo assim, o governo brasileiro faz o gesto de levar adiante essa contestação intuito para marcar posição internacional sobre o tarifaço, que também atinge outros parceiros comerciais dos americanos, e para defender o sistema multilateral de comércio, tema frequente dos discursos de Lula no exterior.

Em novo esvaziamento da OMC, o governo americano suspendeu contribuições financeiras para a entidade, junto com o fim de aportes a outras dezenas de organizações internacionais.

O Brasil sustenta as medidas tarifárias da gestão Trump contra o país são injustificadas e incompatíveis.

No último dia 22, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros, oriunda de uma investigação do órgão que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.

Na semana passada, foram anunciados mais 12,5% em relação a uma outra apuração sobre uso do trabalho forçado pelo Brasil e outras 59 economias.