Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Hugo está disposto a levar caso Ramagem para decisão da Mesa

Aliados falam em evitar risco com nova derrota como no caso Zambelli

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou a aliados que está disposto a levar o caso do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) para análise da Mesa Diretora da Câmara.

A visão é de que Hugo não tem escolha porque corre o risco de recair no mesmo problema que ocorreu durante o processo de cassação de Carla Zambelli (PL-SP), que foi livrada da cassação pelo plenário.

O próprio Hugo chegou a anunciar que o processo de cassação de Ramagem seria analisado na quarta-feira (17), diretamente no plenário.

Conselheiros pontuam que os dois casos não precisariam ir para o plenário e a perda do mandato é uma decisão da lei e consequente das condenações. A atribuição de decretar a perda seria, portanto, da própria Mesa.

No caso de Zambelli, a avaliação é de que Hugo quis fazer um aceno ao Partido Liberal e equilibrar com o caso de Glauber Braga (PSOL-RJ), mas que acabou se dando mal. O presidente ligou a vários líderes para pedir ajuda, mas o plenário não teve votos para cassar a parlamentar.

Alguns aconselharam Hugo a mandar o caso de Zambelli para a Mesa, mas afirmam que faltou pulso ao presidente da casa.

Se for para o voto, Ramagem também pode ser livrado pelos seus pares, uma vez que tem mais trânsito político que a colega de partido.

"Se tivermos bom senso, o caso Zambelli influencia o de Ramagem", avaliou um líder à CNN Brasil.

A renúncia de Zambelli (PL-SP) ao mandato, anunciada nesse domingo (14), vem sendo atribuída a uma articulação de Hugo Motta. O deputado vinha buscando uma solução e afirmava a interlocutores estar resolvendo a situação.

Por outro lado, a defesa de Zambelli também viu benefícios em não alterar o status dela para o de "parlamentar cassada".

"Foi a saída mais fácil e ficou menos pior", pontuou um aliado de Hugo à CNN Brasil.

A decisão, na prática, livrou Hugo de acatar ou não a ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a perda do mandato e evitar embates com a Corte.