Indicação de Messias coloca relação do governo com Alcolumbre em xeque
Aliados de presidente do Senado falam em "chance zero" de distensionar relação neste momento

Senadores aliados do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), falam em “chance zero” de distensionar a relação entre o chefe da Casa e o Palácio do Planalto.
Alcolumbre segue irritado com o Planalto com a insistência na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, e não do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Diante disso, o presidente do Senado rompeu relações, ao menos no momento, com o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), e mandou recados por meio de aliados de que não é para o parlamentar tentar entrar em contato.
O mantra do "se a votação [de Messias] fosse hoje, não passava" segue sendo ouvido em alto e bom som no Senado. Por outro lado, também a máxima de "em política, ninguém antecipa as coisas".
Se Lula quis demonstrar que quem manda é ele e a prerrogativa de indicar o próximo ministro do STF é do presidente da República, senadores dizem sob reserva que a prerrogativa do Senado é vetar ou aprovar o nome encaminhado à Casa.
O timing de final de governo e o clima de pré-eleição instalado no país são fatores complicadores para a crise. Algo que Cristiano Zanin, quando indicado por Lula à Suprema Corte, por exemplo, não precisou enfrentar.
O primeiro recado de Alcolumbre já veio logo na sequência da oficialização de Messias, com o anúncio de votação de um projeto de lei que trata da aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias. Cheiro de rombo nas contas públicas, com uma pauta que Alcolumbre vinha segurando há bastante tempo.
Na avaliação de parlamentares ouvidos pela CNN Brasil, o PL Antifacção, já aprovado na Câmara, pode ser poupado da crise na Casa vizinha diante do parecer de viés técnico que é esperado do relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Da mesma forma, o orçamento do próximo ano não deve ser alvo de retaliações, diante das perspectivas do mundo político com o recebimento de emendas para o ano eleitoral de 2026.



