Itamaraty avalia que ida de Flávio aos EUA não justificava uso de embaixada
Pré-campanha alegou que representação negou suporte; pedido foi enviado na véspera do encontro com Trump
A diplomacia brasileira avalia que a visita do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), não tinha caráter oficial e, por isso, o uso da embaixada brasileira em Washington para uma coletiva de imprensa, nesta terça-feira (29), não se justificava.
O pedido de uso do prédio foi feito na segunda-feira (25), na véspera do encontro de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A solicitação, porém, foi negada.
A sede da embaixada seria usada por Flávio para detalhar o encontro com Trump. Durante pouco mais de meia hora, o senador relatou temas que teriam sido discutidos com o republicano, como a classificação de facções criminosas como terroristas, o tarifaço à produtos brasileiros e a exploração de minerais críticos em território brasileiro.
Liberações do uso do espaço da representação diplomática brasileira para parlamentares não são incomuns, mas demandam antecedência e procedimentos exigidos a qualquer parlamentar, como a configuração oficial – o que não foi obedecido pela pré-campanha do senador, segundo apurou a CNN.
No ano passado, uma comitiva de senadores da base e da oposição utilizou a estrutura da embaixada para falar com a imprensa após uma visita aos EUA na fase de negociação da reversão do tarifaço aplicado por Donald Trump ao Brasil.
Em nota após a visita de Flávio à Casa Branca, a pré-campanha afirmou que a embaixada negou suporte para Flávio Bolsonaro atender imprensa após encontro com Donald Trump.
“Na medida em que o senador Flávio Bolsonaro, um parlamentar eleito e uma das principais lideranças políticas do País, se reúne com o homem mais poderoso do mundo, causa estranheza que a embaixada não aceite um pedido simples para ceder espaço para atendimento à imprensa”, afirma uma nota assinada pela equipe de Flávio, que acusa a diplomacia brasileira de ser uma “extensão partidária do PT”.
Fontes da diplomacia ouvidas pela CNN avaliam que a pré-campanha tenta criar um fato político em cima de questões procedimentais.


