Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

MP que destina recursos de bets abre disputa entre forças policiais

Texto foi costurado como saída para custear plano de saúde de polícias da União

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A medida provisória das bets editada pelo governo Lula no início de abril tem gerado disputa entre forças policiais.

A MP amplia o orçamento do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal, conhecido como Funapol, em até R$ 200 milhões. E abre espaço para ajustes no custeio do auxílio-saúde dos policiais.

O texto foi costurado como um aceno do governo para a PF (Polícia Federal), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a PPF (Polícia Penal Federal), após a criação do Fundo Constitucional de Segurança Pública não avançar.

O fundo era costurado como uma saída para atender a pleitos para o custeio de plano de saúde dos policiais das três forças e usaria recursos de operações contra tráfico de drogas.

Como a matéria tramitava por projeto de lei, a avaliação do governo é de que não daria tempo de aprovar o texto sem infrigir a lei eleitoral.

A solução foi costurar uma alternativa via medida provisória, que tem força imediata, e usar recursos da arrecadação federal com as bets.

A saída, no entanto, não apazigou os ânimos das categorias. Na PRF e na PPF, segundo apuração da CNN, a preocupação é que o recurso não seja efetivamente distribuído.

Isso porque o Funapol é vinculado, por natureza, à Polícia Federal. As categorias pontuam, no entanto, que a medida provisória foi costurada como aceno às três categorias.

A tramitação da MP no Congresso Nacional tem servido de porta de entrada para emendas que buscam ampliar o alcance da medida e evitar que o reforço institucional e orçamentário fique restrito à Polícia Federal.

Ainda não há movimentação clara da PF para utilização individual do recurso, mas interlocutores da PRF e PPF defendem que haja um movimento por equalização de direitos, com o auxílio-saúde no centro das negociações, dentro de uma mobilização mais ampla de isonomia e valorização das carreiras.

A MP muda o repasse da arrecadação federal com as bets e destina, de forma progressiva até 2028, até 3% dos recursos obtidos pelo governo com apostas de quota fixa ao Funapol.