Isadora Camargo
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Isadora Camargo

É âncora do CNN Agro News. Jornalista há 15 anos em economia e negócios, é doutora pela USP e pela Universidade de Navarra; passou por Valor Econômico e Agência EFE.

Bastidor: articulação entre café do Brasil e EUA combateu tarifaço

Indústria brasileira volta a mirar exportações recordes ainda em 2026 com retomada de apetite americano

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Não há detalhes sobre as datas de vigência da isenção tarifária ao café solúvel brasileiro, mas o setor comemora a nova decisão dos Estados Unidos e volta a "sonhar" com recorde de embarques para o país ainda este ano, o que significaria manter o Brasil na liderança de exportações da bebida instantânea na América.

A articulação entre as entidades setoriais brasileiras e a NCA foi fundamental para este passo, diz Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel).

Os argumentos do café se tornaram exemplos de defesa de interesses e influência, em um cenário em que a lista de exceções era vista como a principal vitória do Brasil, enquanto pairavam pontos de inflexão como pix e etanol.

Ao blog, Lima relembra que o processo de conversas extrapolou salão oval e Escritório do Representante de Comércio dos EUA. Há um ano, fornecedores brasileiros começaram um trabalho "de corpo a corpo" com os clientes americanos.

Das conversas resultaram os esforços dos próprios importadores em defender a isenção tarifária para todo tipo de café do Brasil que entre nos EUA.

"As nossas empresas fizeram um trabalho importante de articulação com os clientes americanos, que se manifestaram por escrito. Houve inúmeras manifestações de apoio à entrada do café solúvel na lista de exceção. Só depois ficamos sabendo da dimensão desse movimento, mas o resultado veio: estamos fora da tarifa", detalhou.

Com a lista definida e publicada no final da noite pelo USTR, a certeza de que torrado, moído, instantâneo e qualquer derivado do grão não serão sobretaxados.

Nos bastidores, jurídico e assessoria de comunicação do setor madrugaram para checar todos os detalhes - e confirmar o alívio.

Segundo o diretor-executivo, houve uma mobilização coordenada entre a própria associação, outras entidades do setor e empresas exportadoras para demonstrar às autoridades americanas os impactos da medida.

"Houve um turbilhão de mensagens entre os nossos grupos. Todo mundo comemorando e muito feliz por tudo o que aconteceu, pelas mobilizações e pelo trabalho que fizemos em conjunto com as entidades do setor, com apoio da National Coffee Association (NCA), principalmente na pessoa do presidente Bill Murray, que foi fundamental na articulação com os empresários americanos", afirmou.

Para o executivo, a exclusão do produto dá fôlego em um momento de expansão das exportações brasileiras.

"Se os resultados do primeiro semestre se consolidarem, o Brasil deve bater mais um recorde de exportação em volume de café solúvel, consolidando sua posição de liderança mundial no segmento", afirmou.

Preocupação continua

Apesar da comemoração, Lima ressaltou que a preocupação do setor não terminou. Segundo ele, permanece em andamento outra investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados de mais de 60 países.

"Nos livramos dos 25%, mas ainda existe outra investigação que pode imputar tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros. Trata-se de um pacote mais amplo, relacionado a questões de trabalho forçado em cadeias de fornecimento internacionais, que envolve mais de 60 países. Agora é comemorar, mas também continuar mobilizado junto com o governo brasileiro para as próximas etapas de defesa", afirmou ao blog.

O diretor-executivo também ressaltou que, embora o café solúvel tenha sido poupado da nova tarifa, outros setores brasileiros continuam afetados pelas medidas comerciais anunciadas pelos EUA.

"A preocupação agora fica com os outros produtos brasileiros que acabaram sendo atingidos. A luta desses setores continua, e nós somos solidários para que também tenham sucesso e consigam um tratamento diferenciado", concluiu.