Emprego no agro cresce, mas saldo fica abaixo da relevância do setor no PIB
Números do Caged mostram que a agropecuária criou mais de 23 mil novos postos de trabalho em janeiro, mas, entre os cinco setores monitorados, foi o menos representativo

Brasil afora, para dentro das porteiras, a falta de mão de obra é um problema comum entre produtores e empresários do agro, reflexo de uma transição no mercado de trabalho nas cadeias produtivas, que passa pela automação tecnológica dos segmentos, pelo avanço da industrialização e pela maior exigência de capacitação formal. Além dessas variáveis, o fantasma do êxodo rural assombra famílias de tradição agropecuária que não estão concluindo a sucessão no campo.
Fato é que a geração de empregos no agro é díspar. De um lado, a criação de vagas formais no setor abriu 2026 com saldo positivo de pouco mais de 23 mil postos em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O número é menor se comparado ao saldo de dezembro de 2025, que foi de 44,3 mil novas vagas formais.
Por trás desse saldo, estão 113,38 mil admissões, ante 90,31 mil desligamentos. Com isso, segundo o Novo Caged, o estoque de vagas na agropecuária ficou em 1,86 milhão no primeiro mês do ano — número que representa o total de vínculos ativos com carteira assinada no país no setor.
A criação de vagas ficou concentrada nos Estados do Mato Grosso, com pouco mais de 10 mil novas vagas, e Rio Grande do Sul, com 11 mil novos empregos. São Paulo, que mantém a balança comercial afiada pelo nível de exportações agrícolas, teve mais desligamentos do que admissões, com um saldo negativo de 3,3 mil empregos - pior resultado do setor no país.
Desempenho setorial
Entre os cinco setores analisados pela pesquisa (além do agro, comércio, indústria, serviços e construção), o pior desempenho foi o da agropecuária. Comércio e indústria foram as atividades que mais criaram empregos em janeiro, com 56,8 mil e 55 mil postos, respectivamente.
Historicamente, janeiro é um mês em que algumas culturas estão sendo semeadas, outras em franco desenvolvimento e, portanto, os trabalhos de safra diminuem. Entretanto, o saldo de janeiro de 2025 foi maior: 37,13 mil vagas abertas na época, evidenciando um desempenho estrutural menor.
Ao longo do ano passado, o ritmo de novas vagas encerrou com saldo líquido de 41.870 empregos formais, o que representa crescimento de 269% em relação a 2024, quando o setor havia gerado cerca de 11,3 mil vagas.
Esse ganho proporcional teve correlação com os impactos positivos de uma safra forte em 2025, impulsionando contratações no campo. Outro aspecto é que, nos últimos anos da série histórica, o setor oscilou com saldos moderados ou até negativos em determinados meses, refletindo sazonalidades das safras e pressões de custos de produção, como já expôs a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Atualmente, a ocupação no agronegócio é de cerca de 28 milhões de trabalhadores, conforme o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, da CNA/Cepea. Esse número representa cerca de 26% do total de ocupações no Brasil.
Embora ainda represente uma fatia menor do total de empregos criados no país — serviços e comércio seguem na liderança em termos absolutos —, o crescimento percentual na agropecuária em 2025 sugere resiliência e indica que os impactos no emprego do setor são cada vez mais sensíveis às condições de produção e à dinâmica das cadeias de valor do agronegócio.



