Iuri Pitta
Blog
Iuri Pitta

Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

Análise: Cury aposta em Lula e STF frágeis para preservar capital eleitoral

Candidato do Avante foi a surpresa política de agosto; em setembro, segue a onda de críticas à Corte e vê caminho para sustentar terceira posição

Compartilhar matéria

O avanço de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de agosto surpreendeu a maioria dos analistas e observadores desta campanha – naquela época, era Renan Santos quem era visto como potencial surpresa do ano com o estreante Missão, frente a partidos já testados nas urnas, como o PSD de Ronaldo Caiado e o Novo de Romeu Zema.

Neste mês de setembro, Cury não só entrou no radar da política como demonstrou, em entrevista à CNN, estar com faro atento aos ventos da política. Em meio ao aumento da fragilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da crise do Supremo Tribunal Federal, o candidato que se propõe a pacificar o Brasil aposta na retórica mais incisiva contra as Genis eleitorais do momento.

Em comparação à participação no debate da Band, por exemplo, quando se destacou por apontar o que chamou de “agressividade” de Renan Santos, neste 7 de Setembro

Cury afirmou que “ser pacífico não significa ser passivo” e reiterou o desejo de enfrentar Lula no segundo turno, e não Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas. “Ele já deu o que tinha que dar”, cravou.

Atento à crise no STF, não poupou o ministro Alexandre de Moraes ao se colocar favoravelmente a um processo de impeachment, se ficarem comprovados erros da parte do magistrado. Em paralelo, reiterou o apoio a André Mendonça, nêmesis de Moraes após o relatório das mensagens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro.

Cury conseguiu colher parte do eleitorado que resiste a escolher entre Lula e Flávio, os dois candidatos mais bem posicionados e mais rejeitados nas pesquisas.

Frases como “vamos usar o Centrão, e não ser usado pelo Centrão”, além da posição crítica ao STF e ressalvas a Donald Trump e a relação com os Estados Unidos, são o caminho escolhido para, se não avançar ao segundo turno, pelo menos preservar o patrimônio eleitoral conquistado até aqui.