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    Iuri Pitta

    Iuri Pitta

    Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

    Índice CNN: candidato à reeleição tem em média 12 pontos a mais que desafiantes

    Prefeitos que disputam novo mandato registram em média 29,75% ante 17,5% de opositores

    Índice CNN: candidato à reeleição tem em média 12 pontos a mais que desafiantes
    Índice CNN: candidato à reeleição tem em média 12 pontos a mais que desafiantes

    Prefeitos candidatos à reeleição registram em média uma vantagem de 12,25 pontos percentuais em comparação aos principais desafiantes em suas cidades, mostra o Índice CNN.

    De acordo com o agregador de pesquisas, desenvolvido pelo Ipespe Analítica, os gestores em busca de um novo mandato têm uma performance média de 29,75%, ante 17,5% dos opositores.

    Isso não significa que todos os incumbentes – ou seja, aqueles que ocupam os cargos e devem disputar a reeleição – lideram as pesquisas atualmente, mas apontam a tendência de favoritismo dos prefeitos em relação aos opositores.

    Em outras palavras, quando um opositor está na frente na pré-campanha, é um feito ainda mais notável e um sinal de dificuldades enfrentadas pelo atual gestor.

    O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda aponta três fatores que explicam essa tendência:

    1. O tempo atua a favor dos incumbentes, pois a campanha oficial começa apenas no segundo semestre, e a taxa de conhecimento dos prefeitos perante o eleitorado tende a ser maior que a dos opositores;
    2. O volume de recursos no sentido mais amplo da palavra, pois o gestor tem o poder de anunciar políticas e ações administrativas e uma natural exposição maior que os adversários;
    3. Prefeitos costumam replicar nas coligações eleitorais as bases de apoio com as quais já contam nos Legislativos, garantindo maior exposição na propaganda eleitoral.

    Lavareda ressalta, neste terceiro fator, que a vantagem das grandes coligações é ainda maior nas eleições municipais, em comparação aos pleitos gerais. “Um candidato a prefeito, com a mesma coligação partidária de um candidato a presidente, terá mais de duas vezes mais tempo de exposição. O tempo de propaganda é o mesmo nas eleições municipais, mas há apenas dois cargos em disputa, prefeito e vereador, enquanto nas eleições gerais são cinco cargos: presidente, governador, senador, deputado federal e estadual”, explica.

    Maior experiência, mesma baixa diversidade

    Há outras diferenças nos perfis dos candidatos à reeleição e dos desafiantes, de acordo com os dados levantados pelo Ipespe Analítica. Os prefeitos são em média 4 anos mais velhos que os opositores e têm maior índice de ensino superior completo (93% a 83%, respectivamente).

    Mas, quando o assunto é diversidade, há muita semelhança entre gestores e desafiantes. Em ambos os grupos há baixa representatividade das mulheres. Pelos dados do Índice CNN, são 81,7% de candidatos do sexo masculino, ante 18,3% do feminino. “Isso é uma vergonha brasileira, uma desigualdade de gênero brutal. E não é muito diferente do que ocorre nas eleições para vereador, não é só com prefeitos”, aponta Lavareda. “Mais um indicativo de que o sistema proporcional de lista aberta é um obstáculo praticamente intransponível pelas mulheres.”