Debate de lei contra facções perde força nas redes em semana de votação
Levantamento da Nexus mostra recuo do tema em plataformas como X em comparação à semana em que governo havia emplacado narrativa de defesa da PF

Na semana em que a Câmara aprovou o chamado Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, em substituição ao PL (Projeto de Lei) Antifacções enviado pelo governo federal, o debate sobre o tema nas redes sociais não manteve a força registrada na semana anterior, quando o Palácio do Planalto conseguiu emplacar um discurso em defesa da atuação da PF (Polícia Federal) no enfrentamento aos grupos criminosos.
É o que mostra levantamento feito pela Nexus em redes sociais, obtido pela CNN Brasil. Na plataforma X, por exemplo, não foi detectado nesta semana nenhum termo relacionado ao PL Antifacção nos treding topics (TTs).
O melhor desempenho foi um 42º lugar para a frase “Congresso Sindicato do Crime”, e todos os termos relacionados ao PL geraram 7,15 milhões de impressões. São números aquém do ocorrido na semana anterior, quando houve 1,4 milhão de menções apenas ao tema “Defendam a PF”, cunhado pela comunicação do Palácio do Planalto e adotada por petistas. As impressões nesse caso chegaram a cerca de 11 milhões, e o tema figurou nos TTs.
Sem a mesma força registrada na semana passada pela narrativa da defesa da PF, o Marco Legal, termo cunhado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi aprovado pelos deputados e agora seguirá para discussão no Senado.
Nesta quarta-feira, o parlamentar afirmou nas redes que o governo Lula (PT) “optou pelo caminho errado” no debate sobre o PL Antifacção, diante de críticas de que o texto “asfixiaria a PF, e não o crime organizado”, como afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
De acordo com a Nexus, a perda de relevância do debate sobre o PL Antifacção está relacionada a uma combinação de fatores, como a concorrência com outros assuntos mais sensíveis ao público e o escândalo do Banco Master, após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
No Google Trends Brasil, a Nexus detectou que o tema ficou na 20ª posição entre as buscas realizadas em 24 horas, entre terça e quarta-feira, a despeito de registrar alta de mais de 400% nas buscas por “PL Antifacção”. O pico foi registrado no início da madrugada desta quarta, relacionado tanto à aprovação do texto na Câmara quanto à escolha do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para relatar o projeto no Senado.



