Jenifer Ribeiro
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Jenifer Ribeiro

Jornalista especializada em infraestrutura de transportes, com MBA pelo Ibmec. É movida por transformar temas complexos em histórias acessíveis

Agências reguladoras de infraestrutura ganham espaço no orçamento de 2027

Após negociações com o Ministério do Planejamento e Orçamento, valores estimados para ANTT, Anac e Antaq subiram 37%, em comparação com 2026

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As agências reguladoras ligadas ao setor de transportes conseguiram aumentar em 37% o orçamento previsto no PLOA 2027 (Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027) após meses de negociação com o Executivo.

Juntas, ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) terão R$ 621,9 milhões em despesas discricionárias previstas para o próximo ano. O PLOA 2026 estimava R$ 453,6 milhões para essas agências.

Recursos discricionários são os valores que não estão vinculados a uma obrigação legal ou contratual, permitindo que o gestor decida livremente onde, como e quando aplicar esse orçamento.

Esses valores são somente estimativas do governo federal e comumente são alterados durante a tramitação da Comissão Mista do Orçamento.

Orçamento 2025x2026

             Órgão                                         PLOA 2026                          PLOA 2027                           Variação 

  • ANTT                                          R$ 279,5 milhões                 R$ 345,1 milhões                  +23,5%
  • Anac                                           R$ 113,9 milhões                 R$ 173,5 milhões                  +52,4%
  • Antaq                                          R$ 60,2 milhões                   R$ 103,3 milhões                  +71,7%

Total                                           R$ 453,6 milhões                  R$ 621,9 milhões                 +9,1%

Negociação com o Executivo

A recomposição ocorre depois de as autarquias discutirem a ampliação dos valores para 2027 de forma conjunta com a Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Recentemente, ao Conexão Infra, diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio - que também atua como presidente do Comitê das Agências Reguladoras Federais, Guilherme Sampaio - afirmou que a perspectiva é de que a recomposição orçamentária da soma de todas as agências reguladoras chegue na casa dos 15%.

Além disso, afirmou que o governo federal trabalha em um plano de ação para que haja uma recomposição orçamentária nos próximos quatro anos para essas 12 autarquias.

As agências reguladoras pressionam o Executivo para garantir autonomia financeira e previsibilidade orçamentária há alguns anos.

Em fevereiro, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou que cortes e contingenciamentos sucessivos afetaram a capacidade de atuação das agências reguladoras.

A auditoria, realizada pela Corte de Contas, identificou impactos sobre atividades de fiscalização, administração, investimentos em tecnologia e inovação e atendimento ao público.

Na ocasião, o tribunal determinou que o governo apresentasse, em até 180 dias, um plano de ação para efetivar a autonomia financeira das autarquias.

Esse movimento do TCU foi visto como um dos principais motivos pelo qual as agências conseguiram aumentar a previsão de orçamento para 2027, segundo algumas fontes consultadas pela reportagem que estão ligadas a essas autarquias.

Cortes orçamentários

A discussão ganhou novo peso em junho, quando um bloqueio de aproximadamente 18% nos limites de movimentação e empenho atingiu as agências reguladoras federais. Na época, o Comitê das Agências Reguladoras Federais afirmou que a medida poderia comprometer a capacidade operacional das autarquias e afetar atividades de fiscalização e projetos estratégicos.

O mesmo movimento aconteceu em 2025, quando as agências federais sofreram com o congelamento de quase 25% dos orçamentos.

Em ambos os anos, as agências ligadas ao setor de transporte conseguiram restituir integralmente os valores contingenciados por meio dos ministérios aos quais estão vinculadas.

Entre 2016 e 2026, como já mostrou a CNN, o orçamento conjunto das reguladoras caiu 25%, enquanto o número de servidores ativos recuou 13%.

Projeto de lei

O Legislativo já tentou avançar na pauta de preservação do orçamento das agências reguladoras antes. No ano passado, quando a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 foi aprovada, havia um dispositivo que barrava o congelamento das despesas de regulação e fiscalização das autarquias, mas o trecho acabou vetado pelo presidente Lula (PT) na sanção da lei.

Neste momento, tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei que impede o bloqueio de recursos das agências reguladoras federais, porém a votação do texto deve acontecer somente após as eleições.

No setor de infraestrutura, a questão ganha relevância porque as agências são responsáveis pela fiscalização de contratos de concessão e pela regulação de serviços públicos.