Jenifer Ribeiro
Blog
Jenifer Ribeiro

Jornalista especializada em infraestrutura de transportes, com MBA pelo Ibmec. É movida por transformar temas complexos em histórias acessíveis

Número de passageiros no metrô sobe, mas segue menor que antes da pandemia

Transporte metroferroviário registrou 2,59 bilhões de usuários em 2025 e mostra uma recuperação gradual após lockdown

Compartilhar matéria

O número de passageiros transportados pelos sistemas metroferroviários do país vem crescendo desde a forte queda registrada durante a pandemia, mas ainda não recuperou o patamar pré-pandemia. Em 2025, 2,59 bilhões de pessoas utilizaram metrôs, trens e demais sistemas sobre trilhos, alta de 0,8% em relação ao ano anterior, de acordo com os dados do Painel CNT do Transporte Metroferroviário.

O resultado representa uma recuperação gradual após 2020, quando a demanda caiu 46% com as restrições provocadas pela pandemia de Covid-19. Apesar da trajetória de alta nos anos seguintes, o volume ainda está distante do recorde da série histórica, de 3,23 bilhões de passageiros, registrado em 2019.

O levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte), obtido antecipadamente pela CNN, mostra que a média de passageiros por dia útil nos sistemas metroferroviários brasileiros foi de 8,68 milhões em 2025.

Segundo Ana Patrizia, diretora-presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), a retomada mais lenta do número de passageiros nos veículos sobre trilhos está relacionada, entre outros fatores, às mudanças no mercado de trabalho após a pandemia, com a consolidação do home office.

Outro fator apontado por ela é o preço das tarifas. Levantamentos feitos pela associação mostram que o valor da passagem está entre as principais reclamações dos usuários e que parte dos passageiros voltaria a utilizar o transporte sobre trilhos caso as tarifas fossem menores.

A diretora-presidente aponta que uma forma de atrair novos passageiros para o transporte público, diminuir a quantidade de veículos de passeio nas ruas e consequentemente reduzir os congestionamentos das grandes cidades é garantir modicidade tarifária nos contratos metroferroviários firmados com a iniciativa privada. Esse princípio se caracteriza quando o valor da tarifa é acessível à população com menos poder aquisitivo, mas o total arrecadado com o serviço ainda é capaz de cobrir os investimentos necessários para realizar melhorias nesses ativos.

Mais trilhos

Além da recuperação tímida da demanda, o país também ampliou a malha de transporte sobre trilhos em 2025, de acordo com o Painel CNT do Transporte Metroferroviário.

A malha chegou a aproximadamente 1,1 mil quilômetros, alta de 0,7% em relação ao ano anterior. A rede está distribuída em 49 linhas e 647 estações.

Os trens urbanos concentram a maior parte da infraestrutura, com 536,1 quilômetros de extensão. Na sequência aparecem os metrôs, com 310,8 quilômetros; os VLTs a diesel, com 252,4 quilômetros; os VLTs elétricos, com 47 quilômetros; e os monotrilhos, com 14,5 quilômetros.

Apesar da expansão, a infraestrutura permanece concentrada no Sudeste, que reúne 62,1% da malha nacional, com 711 quilômetros, 30 linhas e 411 estações.

O Nordeste responde por 30,5% da rede, enquanto Centro-Oeste e Sul têm, cada um, 3,7%.

A concentração também aparece na movimentação de passageiros. São Paulo lidera com média de 6,6 milhões de usuários por dia útil, seguido pelo Rio de Janeiro, com 1,15 milhão; Bahia, com 400,4 mil; e Distrito Federal, com 153,5 mil.

Entre os sistemas individuais, o Metrô de São Paulo é o mais movimentado do país, com média de 2,97 milhões de passageiros por dia útil. Depois aparecem CPTM, com 1,56 milhão; ViaMobilidade Linhas 8 e 9, com 803 mil; MetrôRio, com 715,6 mil; e ViaQuatro, com 671 mil.

Perguntada como equilibrar a extensão da malha metroferroviária entre o Sudeste e as demais regiões, Ana Patrizia mencionou o plano realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em parceria com o Ministério das Cidades, como uma solução. A estimativa do projeto é que sejam necessários mais de R$ 20 bilhões anuais a partir de 2030 para ampliar a rede de transporte público brasileiro, além dos investimentos que já estão em andamento.

Em 2024, o banco de fomento estruturou uma estratégia nacional de mobilidade urbana, mapeando a viabilidade de expansão do transporte público em 21 cidades com média e alta capacidade de passageiros. O objetivo é criar uma carteira de projetos, para os quais serão destinados investimentos públicos e privados.

O diagnóstico propõe ampliar corredores de transporte público - ônibus, BRTs, VLTs, metrôs e trens - e, até o momento, 187 projetos já passaram por uma avaliação de viabilidade econômico-financeira. Em cidades como Florianópolis (SC), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (AM) e São Luís (MA), os estudos apontam a possibilidade de criação de novos corredores, por exemplo.

Intervalo entre trens

O levantamento também mostra diferenças significativas nos intervalos entre os trens, indicador que influencia diretamente a oferta do serviço.

A ViaQuatro apresenta o menor intervalo do país, de 1 minuto e 54 segundos, seguida pelo Metrô de São Paulo, com 2 minutos e 12 segundos.

Na outra ponta estão sistemas como a CBTU João Pessoa, com intervalo mínimo de 55 minutos; o Metrofor Sobral, com 48 minutos; e o Metrofor Cariri, com 45 minutos.