Jenifer Ribeiro
Blog
Jenifer Ribeiro

Jornalista especializada em infraestrutura de transportes, com MBA pelo Ibmec. É movida por transformar temas complexos em histórias acessíveis

Saneamento cobra novamente governo por suspensão do uso de flúor na água

Entidades afirmam que estoques do ácido fluossilícico estão perto do fim e voltam a pedir dispensa temporária da obrigatoriedade por 90 dias

Compartilhar matéria

O setor de saneamento voltou a cobrar uma manifestação do Ministério da Saúde sobre a suspensão temporária da obrigatoriedade de fluoretação da água diante do risco de desabastecimento do ácido fluossilícico, insumo utilizado no processo.

Segundo apurou a CNN, associações de saneamento públicas e privadas enviaram carta conjunta ao ministério afirmando que os estoques das companhias estão em processo acelerado de esgotamento e que não há perspectiva concreta de normalização do fornecimento no curto prazo.

Desde o início de julho, essas entidades tentam uma flexibilização temporária da exigência. Na época, não havia mais disponibilidade do insumo no mercado brasileiro e as companhias de saneamento só tinham disponível o ácido que estava estocado. O cenário segue o mesmo, porém, agora a disponibilidade de estoque do produto é menor.

Pelo que apurou a reportagem, já aconteceram conversas formais no Ministério da Saúde sobre o assunto, porém, sem sinalização de que a suspensão vá acontecer.

Procurando alternativas

No documento, ao qual a CNN teve acesso, as entidades afirmam que já buscam alternativas para recompor os estoques. Uma das possibilidades é a importação de ácido fluossilícico produzido no Marrocos.

Porém, a empresa que ficaria responsável pelo abastecimento, ainda precisa fazer investimentos específicos para adaptar a produção às exigências do mercado brasileiro, como a diluição do produto.

Além disso, o insumo terá de passar por certificações e procedimentos de homologação antes de ser adquirido pelas companhias de saneamento.

De acordo com a carta, esses processos demandariam tempo e, por isso, o setor volta a pedir uma suspensão temporária de 90 dias do uso do flúor na água a fim de se adaptar. No texto, as entidades apontam que todas as etapas avancem sem intercorrências, o produto não chegaria imediatamente ao país.

A estimativa apresentada na carta é de pelo menos 90 dias até que o ácido esteja efetivamente disponível para utilização, considerando laudos, contratação, transporte internacional, diluição, novas certificações e distribuição nacional.

Insumo em falta

Com a guerra no Oriente Médio, o ácido fluossilícico “sumiu” do Brasil. Historicamente, o produto utilizado no país era obtido no mercado nacional como subproduto da cadeia de produção de fertilizantes fosfatados. Porém, com o risco de desabastecimento de fertilizante no país, a produção da substância foi paralisada pela indústria.

No exterior, a oferta dessa matéria-prima também diminuiu, o que afeta a cadeia de saneamento brasileira e, consequentemente, a fluoretação da água.
A fluoretação é processo de adição controlada de flúor na água destinada ao abastecimento público. A medida, vigente desde a década de 1970, serve para fortalecer o esmalte dentário, reduzindo a incidência de cáries na população.

Procurada pela reportagem, a Abcon afirmou em nota que “confia em uma resposta tempestiva do governo federal sobre o impacto da escassez do flúor no setor de saneamento e nos usuários do serviço”.