Saneamento cobra novamente governo por suspensão do uso de flúor na água
Entidades afirmam que estoques do ácido fluossilícico estão perto do fim e voltam a pedir dispensa temporária da obrigatoriedade por 90 dias

O setor de saneamento voltou a cobrar uma manifestação do Ministério da Saúde sobre a suspensão temporária da obrigatoriedade de fluoretação da água diante do risco de desabastecimento do ácido fluossilícico, insumo utilizado no processo.
Segundo apurou a CNN, associações de saneamento públicas e privadas enviaram carta conjunta ao ministério afirmando que os estoques das companhias estão em processo acelerado de esgotamento e que não há perspectiva concreta de normalização do fornecimento no curto prazo.
Desde o início de julho, essas entidades tentam uma flexibilização temporária da exigência. Na época, não havia mais disponibilidade do insumo no mercado brasileiro e as companhias de saneamento só tinham disponível o ácido que estava estocado. O cenário segue o mesmo, porém, agora a disponibilidade de estoque do produto é menor.
Pelo que apurou a reportagem, já aconteceram conversas formais no Ministério da Saúde sobre o assunto, porém, sem sinalização de que a suspensão vá acontecer.
Procurando alternativas
No documento, ao qual a CNN teve acesso, as entidades afirmam que já buscam alternativas para recompor os estoques. Uma das possibilidades é a importação de ácido fluossilícico produzido no Marrocos.
Porém, a empresa que ficaria responsável pelo abastecimento, ainda precisa fazer investimentos específicos para adaptar a produção às exigências do mercado brasileiro, como a diluição do produto.
Além disso, o insumo terá de passar por certificações e procedimentos de homologação antes de ser adquirido pelas companhias de saneamento.
De acordo com a carta, esses processos demandariam tempo e, por isso, o setor volta a pedir uma suspensão temporária de 90 dias do uso do flúor na água a fim de se adaptar. No texto, as entidades apontam que todas as etapas avancem sem intercorrências, o produto não chegaria imediatamente ao país.
A estimativa apresentada na carta é de pelo menos 90 dias até que o ácido esteja efetivamente disponível para utilização, considerando laudos, contratação, transporte internacional, diluição, novas certificações e distribuição nacional.
Insumo em falta
Com a guerra no Oriente Médio, o ácido fluossilícico “sumiu” do Brasil. Historicamente, o produto utilizado no país era obtido no mercado nacional como subproduto da cadeia de produção de fertilizantes fosfatados. Porém, com o risco de desabastecimento de fertilizante no país, a produção da substância foi paralisada pela indústria.
No exterior, a oferta dessa matéria-prima também diminuiu, o que afeta a cadeia de saneamento brasileira e, consequentemente, a fluoretação da água.
A fluoretação é processo de adição controlada de flúor na água destinada ao abastecimento público. A medida, vigente desde a década de 1970, serve para fortalecer o esmalte dentário, reduzindo a incidência de cáries na população.
Procurada pela reportagem, a Abcon afirmou em nota que “confia em uma resposta tempestiva do governo federal sobre o impacto da escassez do flúor no setor de saneamento e nos usuários do serviço”.
