A falta de paz impede o Atlético-MG de ser um clube normal no Brasil
O excesso de críticas e a postura dos jogadores dificultam o dia a dia de uma instituição que busca estabilidade financeira e técnica
É impressionante o massacre que o Atlético-MG vem passando já há algum tempo e eu tenho alertado para isso há muito tempo.
O Atlético-MG é massacrado por redes sociais em uma busca incessante por likes de internet, para muita gente que tem ganhado muito quando o clube perde. E isso agora está inclusive dentro da instituição, com atletas que são pagos pelo clube.
Para deixar muito claro: eu não estou generalizando. Não estou dizendo que toda crítica feita ao Atlético-MG tem uma base ou sentimento ruim.
Tem muita crítica embasada, séria e bem-feita por profissionais em grandes veículos e na internet. Não há generalização aqui, para ficar claro aos que sempre vestem a carapuça e se sentem ofendidos.
Há muita crítica necessária, mas que existe uma má vontade excessiva contra o Atlético-MG, não há dúvida. Tudo o que acontece lá dentro é transformado em polêmica, enfrentamento e desconstrução. Teve gente que chegou ao limite de falar que tinha que implodir a Arena MRV, que tinha que jogar o estádio no chão. Um jornalista falou isso.
Imagina se falassem isso do estádio do Palmeiras ou do Corinthians, construído com dinheiro do contribuinte e financiamento público? Ninguém fala, mas da Arena MRV falaram.
As coisas no Atlético-MG não podem ter problemas.
Qualquer estádio do mundo é lançado com uma curva de aprendizado; o do Atlético-MG tinha que ser perfeito desde o primeiro dia. Todo time de futebol oscila; o do Atlético-MG não pode. O Atlético-MG, quando perde uma decisão de Libertadores, é tratado como o pior time do planeta. Todas as SAFs passam por ajustes financeiros. A do Botafogo estava em situação difícil, o Cruzeiro foi até onde deu com o Ronaldo e depois vendeu. O Atlético-MG está lutando para pagar suas contas, mas nada serve: ou coloca bilhões ou está tudo ruim o tempo todo.
É inacreditável o que está acontecendo.
O clube precisa de um pouco de paz e do direito de ser um clube de futebol normal, que vai ganhar, perder ou empatar. Que vai ganhar títulos, como em 2021, ou bater na trave, porque isso faz parte do processo e do esporte. Parece que as pessoas só enxergam o copo meio vazio e, quando falamos o óbvio, dizem que somos "passadores de pano".
Massacre da imagem afeta o torcedor
O Atlético-MG tem um dos melhores CTs do Brasil, mas tratam como obrigação. Tem um estádio reconhecido mundialmente, mas ficam com uma lupa procurando defeitos. Quando o clube paga suas contas em dia, dizem que não é mais do que obrigação. O massacre de imagem que o Atlético-MG sofre é prejudicial e o torcedor precisa entender que isso só atrapalha o clube.
Chegou ao limite da bizarrice os jogadores colaborarem com isso. O time ganha e os caras saem de campo jogando a vitória para baixo. No ano passado, teve ídolo fazendo graça em campo.
Qual é o problema dos senhores? O salário está em dia, o hotel é cinco estrelas, o voo é fretado e a estrutura é de ponta. O reflexo desse comportamento dos jogadores e de parte da mídia foi visto na arquibancada: um público insignificante.
O torcedor está sendo afetado por esse clima.
Está na hora do Atlético-MG ter um pouco de paz
Está na hora de darem paz ao Atlético-MG, de tratá-lo como um clube que tem desafios e dívidas deixadas por gestões passadas que usavam dinheiro para fins pessoais, coisas que já vimos até no Ministério Público e que muitos fingem que não aconteceu.
Olhem a dificuldade de outros grandes clubes para pagar seus estádios. Todo mundo elogia o dever de casa do Flamengo e do Palmeiras, mas o Atlético-MG está fazendo o dele e ninguém vê virtude.
Críticas honestas e racionais são bem-vindas e fazem parte do processo, mas não dá para continuar nesse ritmo de "tiro, porrada e bomba" 24 horas por dia. Ninguém aguenta isso.
O suprassumo da imbecilidade é levar o nível da conversa a pedir a implosão de um estádio. O time não tem paz para produzir nem o clube para evoluir. Os jogadores, que já viram passar diversos técnicos, precisam jogar bola e retribuir a estrutura que recebem. Quem não estiver satisfeito, que vá embora.
Não estou dizendo que não existam erros ou que a diretoria e o departamento de futebol não tenham que melhorar. Várias críticas são bem-vindas quando há bom senso. Agora, o que estão fazendo é um massacre, vindo inclusive de quem não está entregando nada em campo e só cria crise nos microfones e redes sociais.
Está na hora do Atlético-MG ter um pouco de paz.



