Jorge Moraes
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Jorge Moraes

Jornalista, creator, premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país, atua no segmento desde 1995 e está presente nos principais salões nacionais e internacionais

Como o "imposto do pecado" pode deixar seu próximo carro mais caro

Imposto Seletivo terá tratamento diferente conforme as características do veículo; transição prevê preservar a carga atual em 2027

O “imposto do pecado” está chegando à garagem dos brasileiros. Conhecido por alcançar produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, o Imposto Seletivo também vai atingir os automóveis. Para quem pretende trocar de carro, a pergunta é direta: quanto dessa mudança vai parar na etiqueta da concessionária?
Antes de fazer a conta, é preciso separar a entrada do imposto de um aumento efetivo de preços.

A Medida Provisória 1.399/2026, publicada em 4 de novembro, estabelece as regras para 2027. Segundo o governo, a transição foi calculada para preservar a carga tributária atual, usando o IPI como referência. Portanto, a estreia do tributo não significa que todos os carros ficarão automaticamente mais caros.

A próxima etapa é a que merece atenção. O Executivo prevê encaminhar ao Congresso, até maio de 2027, uma proposta com as alíquotas aplicáveis a partir de 2028. É nessa definição que poderá aparecer uma pressão adicional sobre determinados veículos.

Bom esclarecer que a medida provisória também depende da aprovação de deputados e senadores para ser convertida em lei. No setor automotivo, a cobrança considera características como potência, eficiência energética, tecnologia de propulsão, segurança e reciclabilidade.

Na prática, dois carros com preços próximos poderão receber tratamentos diferentes. A ficha técnica passa a ter peso também na conta tributária.
As picapes entram nesse radar. O texto exclui expressamente esses modelos da dispensa concedida aos caminhões, mesmo quando apresentam peso bruto total elevado.

Já veículos com registro de versão sustentável poderão ter alíquota zero, desde que atendam aos requisitos previstos.

A ABVE disse que o governo vai repetir em 2027 o modelo de 2026 e se comprometeu com isso por meio do MDIC, com algumas mudanças (pequenos ajustes) de PIS e Cofins. Em 2028, o presidente da associação, Ricardo Bastos, lembra que será necessário o Poder Executivo enxergar a sustentabilidade e as novas tecnologias dos veículos. "Quando for o modelo definitivo, que seja tratado de forma técnica e considerando os benefícios das novas tecnologias para a eficiência energética e meio ambiente.”

Quanto pode pesar no bolso

Para visualizar o impacto, imagine um carro vendido hoje por R$ 150 mil. Se uma mudança tributária produzir um aumento líquido de 3% no preço final, ele passaria a R$ 154.500. Com 5%, chegaria a R$ 157.500. Em um cenário de 10%, alcançaria R$ 165 mil — R$ 15 mil adicionais para levar o mesmo veículo para casa.

O efeito real dependerá da diferença entre a tributação atual e a nova, das compensações e do repasse adotado pelas fabricantes. Uma alíquota de 5% do Seletivo, por exemplo, não equivale automaticamente a um carro 5% mais caro.

O que diz o imposto?

A regra de transição procura preservar a carga média do atual IPI Verde. O cálculo inclui um fator de conversão de 1,21: uma alíquota de 6,3%, após os ajustes técnicos, corresponderia a 7,623%.

O IPI Verde não se trata de um imposto adicional, mas de uma regra que permite aumentar ou reduzir a alíquota de cada carro. Elétricos e híbridos flex recebem descontos no critério de propulsão, enquanto modelos exclusivamente a gasolina ou diesel têm acréscimos.

A tributação final depende da combinação de todos os critérios, por isso um veículo elétrico não fica automaticamente isento. A proposta é estimular a produção e a compra de carros mais eficientes e com menor impacto ambiental.