Jorge Moraes
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Jorge Moraes

Jornalista, creator, premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país, atua no segmento desde 1995 e está presente nos principais salões nacionais e internacionais

Gandini avança nas negociações para trazer a JMC ao Brasil

Elétrico compacto, vans e comerciais leves estão no portfólio da marca asiática

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A chinesa JMC será uma das próximas marcas asiáticas a desembarcar oficialmente no mercado brasileiro. José Luiz Gandini, atual presidente da Kia do Brasil, afirma que está na segunda fase das negociações com a montadora e que o principal ponto ainda em discussão é o posicionamento de preços da futura linha de produtos.

A estratégia prevê uma operação focada inicialmente em veículos comerciais leves, com destaque para vans, utilitários e picapes, segmentos nos quais a JMC possui forte atuação no mercado chinês e em diversos países da América Latina.

Entre os modelos avaliados está o utilitário esportivo elétrico conhecido internamente como EV2, que mudou de nome a pedido da Kia (Emova Easy), além de caminhonetes médias e veículos destinados ao transporte urbano de cargas e passageiros.

A definição da política comercial será decisiva para o lançamento da marca, que não terá fábrica no país. A expectativa é posicionar os produtos de forma competitiva diante dos rivais chineses já estabelecidos no Brasil e também das fabricantes tradicionais que dominam o segmento de comerciais leves.

A JMC é o próximo passo do grupo Gandini, que vai contribuir com a presença das montadoras chinesas no país, reforçando um movimento que vem acelerando a concorrência tanto no mercado de veículos elétricos quanto no de utilitários.

Nos bastidores, a avaliação é que, depois da fase mais sensível, que é a precificação dos produtos, o próximo passo será a expansão da operação, que terá como base o que foi construído com a rede Kia.

Gandini, em relação à negociação com a Kia, notícia divulgada pelo jornalista João Anacleto e apurada pela CNN Brasil, comentou que tudo vai depender do acordo com o Governo Federal para quitação da dívida de R$ 6 bilhões (valores corrigidos) da Ásia Motors e, depois disso, acertar a saída da distribuição dos modelos.

Memória

O projeto da Ásia Motors no Polo de Camaçari, Bahia, foi anunciado com investimento previsto de cerca de US$ 500 milhões e chegou a contar com o lançamento de uma pedra fundamental em 1997.

A fábrica, no entanto, nunca saiu do papel. E mesmo sem concluir o investimento industrial, a Asia Motors importou mais de 20 mil veículos utilizando a redução dos impostos concedida pelo governo. Towner, Topic eram duas referências do fabricante.

Com o descumprimento do acordo, a União passou a cobrar os tributos que deixaram de ser recolhidos, além de multas, juros e correções monetárias.

A Kia, que incorporou as operações da Asia Motors na Coreia do Sul, recebeu por transferência o débito fiscal e agora tem planos de crescer no Brasil, trazer e produzir carros competitivos em uma fábrica ao lado da planta da Hyundai, em Piracicaba.