Cardozo: Clã Bolsonaro prefere família do que a vitória
"Bolsonaro não gosta de 'estrangeiro' invadindo aquilo que considera seu domínio"
O clã Bolsonaro prefere a família do que a vitória nas eleições, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tendo que se curvar a isso, avaliou o comentarista José Eduardo Cardozo, durante participação no programa O Grande Debate, nesta sexta-feira (13).
Nesta semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Planalto, reforçou apoio a Tarcísio que deve disputar a reeleição no estado de São Paulo neste ano, deixando de lado a intenção de ir ao pleito federal.
"O clã Bolsonaro não prima pela sensatez e pela racionalidade. Se fosse assim, procurariam o melhor candidato da direita, aquele que pudesse vencer. Mas não: preferem a família à vitória, e Tarcísio teve que se curvar a essa realidade", afirmou Cardozo.
"Eu acredito que isso é naturalmente esperado, embora me pareça visível que Tarcísio estava se projetando como candidato à Presidência, incensado por setores da Faria Lima e empresariais. Mas aí o Bolsonaro decide manter o clã Bolsonaro na disputa", prosseguiu.
Segundo Cardozo, "Bolsonaro não gosta de 'estrangeiro' invadindo aquilo que considera seu domínio, e o Tarcísio ficou diante de uma decisão difícil: se mantivesse a candidatura, ficaria com a pior qualificação que atinge um político, a de traidor. De fato, ele só se elegeu por estar ao lado de Bolsonaro".
"Se mantivesse sua candidatura à Presidência da República, acabaria em uma situação em que os traidores sempre são vítimas na política, e essa é a condição que o eleitorado mais se ressente."
"Agora, claro, para setores que o apoiavam há um certo gosto amargo. Ele teria a possibilidade de agregar mais ao centro. Mas percebeu, inteligentemente, que o possível para ele agora era ser governador de São Paulo e apoiar Flávio Bolsonaro, que, na minha opinião, é um candidato mais facilmente derrotado do que Tarcísio. São as ironias da política", finalizou.



