Cardozo: Lei da Ficha Limpa deve permanecer e foi incorporada à cultura
"Querer mudar isso da noite pro dia porque um ex-presidente da República foi condenado... Francamente, eu acho isso lamentável, casuístico, oportunista e inaceitável"
Apesar dos problemas, a Lei da Ficha Limpa deve permanecer e foi incorporada à nossa cultura, afirmou o comentarista José Eduardo Cardozo no programa O Grande Debate desta sexta-feira (7).
"A lei tem problemas, eu pessoalmente acho que tem certos pontos que precisam ser melhorados, porém esse espírito tem que permanecer porque a sociedade efetivamente hoje concorda com isso e foi incorporado à nossa cultura. Querer mudar isso da noite pro dia porque um ex-presidente da República foi condenado... Francamente, eu acho isso lamentável, casuístico, oportunista e inaceitável”, disse.
“A Lei da Ficha Limpa foi aprovada a partir de uma proposta que um milhão de pessoas assinaram e com amplo engajamento da sociedade civil naquele momento" continuou. "E se havia uma coisa que era consensuada era o prazo de oito anos”, afirmou Cardozo.
De autoria do deputado Bibo Nunes (PL-RS), um projeto de lei complementar (PLP) diminui o tempo que um candidato precisa ficar sem disputar eleições após ser condenado de oito para dois anos.
Inelegível até 2030 após condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou que a legislação só serve para “perseguir políticos de direita”, e que é preciso mudar a lei ou revogá-la.
Para Cardozo, mudar a legislação por conta da condenação de Bolsonaro seria "mudar as leis para poder facilitar alguma coisa”.
“Acho importante frisar que esse tipo de discussão casuística e oportunista é muito mal-vinda. Não é oportuna quando você discute em cima de um caso concreto, isso é, a condenação de Jair Bolsonaro, mudar as leis para poder facilitar alguma coisa. É lamentável que isso ocorra”, finalizou.
O programa O Grande Debate é exibido de segunda a sexta-feira, às 23h.



