Indústria reage a fim da “taxa das blusinhas” e cita concorrência desigual
Setor avalia que decisão amplia vantagens para plataformas internacionais e pode afetar empregos e investimentos no país
A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) criticou a decisão do governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.
Em nota, a entidade classificou a mudança como “extremamente equivocada” e afirmou que ela amplia a diferença competitiva entre empresas nacionais e plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Segundo a entidade, a mudança penaliza o setor produtivo brasileiro ao favorecer produtos importados em uma faixa considerada estratégica para o varejo nacional.
A Abit afirma que cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor abaixo de US$ 50 — justamente o segmento agora beneficiado pela isenção.
Na avaliação da associação, empresas brasileiras enfrentam alta carga tributária, juros elevados, custos logísticos e exigências regulatórias e trabalhistas. Para a entidade, a mudança amplia a diferença de competitividade em relação às plataformas internacionais que atuam no mercado brasileiro.
Nos primeiros quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal.
A medida provisória ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional em até 180 dias — ou seja, antes das eleições. A avaliação no setor é de que o tema deve voltar ao centro da pressão política e econômica nos próximos meses.
A Abit afirmou ainda que seguirá atuando junto ao Congresso Nacional para tentar reverter a medida e defender o que chama de “concorrência justa” entre empresas nacionais e estrangeiras.



