Julliana Lopes
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Julliana Lopes

Foi repórter no SBT e na CNN em Brasília. Agora em SP, Julliana trouxe na bagagem vasta experiência em coberturas no Congresso e no governo federal

Disputa concentrada em Lula e Flávio acirra guerra pelo voto útil

A dez dias do 1º turno, campanhas dos presidenciáveis do PL e PL adotam estratégias diferentes diante do recuo dos demais candidatos nas pesquisas

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A dez dias do primeiro turno, aumentou a atenção das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o voto útil na reta final. A estratégia busca atrair o eleitor que já tem candidato, mas pode mudar sua escolha para tentar influenciar o resultado da disputa.

O voto útil é caracterizado quando o eleitor abandona seu candidato preferido e vota em outro com mais chances de vencer, seja para barrar um adversário, seja para tentar definir a eleição logo no primeiro turno. A estratégia costuma ganhar força na reta final, quando as pesquisas mostram quem de fato está no páreo.

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quarta-feira (23), mostra que Lula foi de 44,1% para 45,8%, e Flávio, de 41,7% para 43,4%, ganho de 1,7 ponto para cada um.

Nesse intervalo, Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) oscilaram numericamente para baixo. Somados, Lula e Flávio passaram de 85,8% para 89,2% das intenções de voto.

Apesar de o instituto não medir diretamente a migração entre candidatos, a concentração registrada na nova rodada reforçou a atenção das campanhas sobre um movimento que já vinha sendo acompanhado na reta final.

Flávio mira eleitores da direita e da centro-direita.

É na campanha de Flávio que a busca pelo voto útil aparece de forma mais explícita. Nesta quarta-feira (23), o candidato reuniu aliados em uma transmissão ao vivo no YouTube e pediu diretamente o voto de eleitores que hoje estão com outros candidatos.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu a concentração de votos em Flávio e pediu “pragmatismo” ao eleitor. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reforçou a estratégia durante a transmissão. Fora da live, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e Daniella Marques, responsável pelo programa econômico do candidato do PL, também fizeram apelos pelo voto útil no primeiro turno.

Campanhas adversárias também admitem monitorar a ofensiva por esses eleitores.

Um recorte do Datafolha divulgado nesta quarta-feira (23) mostra onde o PL vê espaço para avançar. Entre os eleitores de Cury, Caiado, Renan Santos e Zema, 43% votariam em Flávio num eventual segundo turno contra Lula, 30% ficariam com o petista e 26% votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois. O levantamento reúne duas pesquisas realizadas pelo instituto em setembro.

A vantagem numérica de Flávio é maior entre os eleitores de Zema e Renan Santos. Entre os de Caiado e Cury, a diferença para Lula está dentro da margem de erro.

O levantamento mede especificamente o cenário de segundo turno, mas mostra como esse eleitorado se divide quando a escolha fica restrita aos dois principais candidatos.

PT reforça mobilização da base

O PT passou a reforçar nesta semana a estratégia de fidelizar e mobilizar os segmentos em que Lula já tem maior apoio. Pesquisas internas também passaram a registrar maior concentração da disputa entre Lula e Flávio, segundo integrantes da campanha.

Na reta final, o presidente ampliou atos de rua e a presença nos estados, com agendas no Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco. Em São Paulo, a campanha abriu um espaço para recrutamento de voluntários.

A atenção maior é sobre os eleitores de menor renda, considerados pela campanha mais sujeitos à abstenção. O objetivo é preservar uma base já consolidada e aumentar o comparecimento desse eleitorado no primeiro turno.