Aliados de Alcolumbre projetaram derrota de Messias e governo ignorou
Falha na articulação governista expôs derrota ampla de Jorge Messias no plenário do Senado; entorno do presidente da Casa falava em até 50 votos contrários
Nos bastidores do Senado, aliados de Davi Alcolumbre relatavam a interlocutores a projeção de até 50 votos contrários à indicação de Jorge Messias, em um cenário tratado como “potencialmente histórico”.
Mesmo diante desse diagnóstico, a articulação do governo foi mantida. De acordo com relatos de quem monitorava a contagem, até as horas que antecederam a votação, interlocutores do Planalto resistiram à ideia de recuo e sustentaram a aposta na aprovação do nome.
O resultado confirmou a força da mobilização contrária. O plenário rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) por um placar amplo (42 votos contrários; 34 a favor) e evidenciou uma falha relevante de coordenação política do governo.
A rejeição passa a ser interpretada como um movimento mais amplo de pressão sobre a Suprema Corte. Internamente, a avaliação é de que a votação também funciona como recado institucional em meio às tensões entre os Poderes.
A leitura é compartilhada por ministros do STF, que ficaram “atônitos” com a derrota, segundo fontes. Para magistrados, a votação “passou um recado importante” sobre o nível de confronto entre Judiciário e Legislativo.
No Congresso, parlamentares citam episódios recentes como evidência desse ambiente. Entre eles, as rusgas envolvendo o ministro Gilmar Mendes e o senador Alessandro Vieira (MDB), após o pedido de indiciamento de magistrados.
Há, ainda, um cálculo de médio prazo. Parte da oposição aposta na recomposição do Senado nas eleições deste ano para tentar avançar com agendas hoje travadas, como pedidos de impeachment de ministros da Corte.



