Análise: Alcolumbre acena a Lula e indicação de Messias avança
O presidente do Senado mostra que o ritmo do Congresso não é o mesmo do Planalto
Depois de tanto esperar, o governo consegue uma data para a sabatina de Jorge Messias, o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Suprema Corte. O trabalho agora é transformar um processo político em uma etapa controlada.
O caminho, até aqui, mostra que o trabalho não é fácil. Depois de segurar a indicação por mais tempo do que fez com André Mendonça, Davi Alcolumbre (União-AP) decidiu liberar a o rito.
Com o gesto, o presidente do Senado mostra que o timing do Congresso não é do Planalto. É dele. Alcolumbre, aliás, deu o mesmo recado ao dizer não para a prorrogação de CPIs e ao negociar pautas sensíveis, como a votação do veto à Dosimetria.
A sabatina avança, mas dentro de um contexto de disputa por agenda. Para o governo, o desafio não é só ter votos. É evitar que o processo vire instrumento de pressão em outras negociações no Legislativo.
No fim, mais do que um teste para Messias, a sabatina é um teste de força: entre um Planalto que busca previsibilidade e um Senado que mostra, na prática, que controla o relógio político.



