Análise: Discurso bolsonarista não desabilita Tarcísio com centrão
Líderes de centro-direita veem estratégia calculada de governador para se tornar presidenciável e conquistar espólio de Jair Bolsonaro
Para lideranças de centro-direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi ousado, mas, ao fim, acertou no tom escolhido para discursar no ato pró-Bolsonaro realizado na Avenida Paulista, no domingo, 7 de setembro.
De cima de um trio elétrico, ao lado dos aliados mais fiéis do ex-presidente, o republicano criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e defendeu figuras bolsonaristas como o pastor Silas Malafaia, alvo de inquérito sob o comando do magistrado.
A avaliação é de que o governador de São Paulo calculou o movimento e até se sentiu à vontade para partir para o ataque após ter sido fortalecido politicamente por figuras influentes do centrão.
Fontes lembram os acenos recebidos por Tarcísio no fim de agosto, durante o fatídico jantar que reuniu caciques no PP, Republicanos, MDB, PSD e PL.
Ali, políticos teriam confirmado que o republicano tem capacidade para costurar alianças para a candidatura. Isso, se conseguisse convencer a família Bolsonaro a passar o bastão.
O entendimento é que o cenário atual é propício para que o governador acene ao bolsonarismo, inflamado pelo julgamento na Suprema Corte.
Seria o momento correto se colocar para a militância como alguém capaz de honrar o legado do ex-presidente.
Para uma ala da centro-direita , a postura de "político moderado" poderá ser recuperada mais adiante, durante a corrida eleitoral.
Ainda de acordo com interlocutores, o mesmo vale para a relação com os ministros do supremo, possivelmente desgastada pela defesa da anistia aos condenados pelo 8/1.



