Análise: Instituições brasileiras em clima de desconfiança
Durante o feriado de Carnaval, informações financeiras de ministros do STF, seus familires e nomes conhecidos no caso Master são vazadas a partir do Sistema Tributário
A crise institucional provocada pela quebra do Banco Master ganha um novo elemento: a bisbilhotagem clandestina de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus parentes. Em plena terça-feira de Carnaval, nos estados mais agitados da folia, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o cumprimento de buscas e apreensões contra servidores da Receita Federal.
A suspeita? Extração ilegal e vazamento de informações financeiras a partir do Sistema Tributário. A lista de CPF's vasculhados inclui os donos das togas e pessoas próximas a eles... mas acima de tudo, nomes conhecidos em meio ao escândalo do Banco Master.
Um deles é o de Viviane Barci, esposa de Moraes, advogada responsável por um contrato milionário para defesa dos interesses do Master. Ainda no começo, o novo episódio da crise tem muito o que revelar, como as reais motivações para o vazamento. Porém, o pano de fundo é o que preocupa.
Quais podem ser os impactos desse tipo de investigação sobre o andamento das apurações sobre o escândalo que é, acima de tudo, político? A ampliação do flanco de desconfianças entre instituições - Polícia, Receita e Judiciário - compromete o inquérito? Dá margem a retaliações entre autoridades? Protege ministros?
O novo elemento sobre o caso Master reforça que a crise é, sobretudo, institucional no Brasil.



