Estratégia de Lula para 2026 evita IA e mira segurança jurídica
Mudança ocorre em meio ao endurecimento dos cuidados jurídicos para 2026; estratégia busca reduzir risco de questionamentos na Justiça Eleitoral e diferenciar comunicação do PT de adversários que recorrem à tecnologia

As restrições impostas pela legislação eleitoral já começam a influenciar a estratégia de comunicação do PT (Partido dos Trabalhadores) para a disputa de 2026. Como antecipado na minha análise no jornal Hora H nesta quarta-feira (8), o ambiente de cautela nos bastidores do governo evoluiu para uma decisão da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: limitar o uso de inteligência artificial em peças de comunicação com o petista.
A orientação, segundo dirigentes petistas, é que a inteligência artificial continue sendo utilizada apenas para edição e aperfeiçoamento de conteúdos, sem criar vídeos ou imagens que coloquem o presidente em situações fictícias.
A diretriz vale, principalmente, para materiais de campanha com a imagem de Lula.
Nos bastidores, a medida é tratada como uma forma de reduzir riscos de contestações na Justiça Eleitoral em um momento em que o próprio PT prepara uma ofensiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para defender regras mais rígidas para o uso da tecnologia nas campanhas.
Integrantes da legenda afirmam que o partido faz uma distinção entre o uso da inteligência artificial como ferramenta de produção e recursos capazes de simular falas, imagens ou situações inexistentes.
A avaliação é de que a campanha deve reforçar a imagem de autenticidade do presidente, evitando conteúdos que possam ser associados a deepfakes.
A decisão ganhou força após a circulação de peças produzidas por adversários com o uso de inteligência artificial. Um dos episódios que repercutiram nos últimos dias foi um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no qual ele aparece pilotando um avião de caça em uma missão fictícia para localizar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Apesar da repercussão, interlocutores de Lula afirmam que o presidente não pretende responder utilizando a mesma estratégia nas redes sociais. A aposta da campanha será explorar justamente o contraste entre conteúdos produzidos com imagens reais e peças inteiramente artificiais.
A cautela também dialoga com o novo cenário imposto pela legislação eleitoral.
Ministros e assessores do governo já demonstravam incômodo com orientações do Palácio do Planalto e da Advocacia-Geral da União (AGU) após o início do período de restrições, em 4 de julho.
Entre elas, a determinação para arquivar publicações feitas em perfis pessoais durante agendas oficiais do terceiro mandato antes do início do período de defeso.
A posição do presidente sobre o tema já havia sido manifestada publicamente. Em maio, durante agenda na Bahia, Lula afirmou que a inteligência artificial poderia reproduzir sua imagem em comícios simultâneos por todo o país, mas descartou recorrer ao recurso durante a campanha.
"Se a gente quiser, a gente pode fazer o Lula artificial fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política", declarou.



