Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Bolsonaro será árbitro da crise entre Michelle e Flávio, dizem aliados

Entorno da família avalia que nova manifestação por escrito do ex-presidente poderia conter desgaste e pôr fim à disputa

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Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmam que ele será o árbitro do atrito público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência.

Uma das possibilidades levantadas no entorno da família é que Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, divulgue uma manifestação por escrito para reafirmar sua posição sobre as alianças eleitorais no Ceará e tentar mediar o conflito familiar.

A avaliação é que o ex-presidente poderia repetir o gesto adotado em dezembro do ano passado, quando divulgou uma carta para confirmar Flávio como pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto.

Na ocasião, Bolsonaro classificou a escolha como uma "decisão consciente e legítima" e buscou encerrar a disputa interna sobre a sucessão.

Aliados afirmam que Bolsonaro já havia dado aval às articulações do PL no Ceará, incluindo o apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. A expectativa é de que ele reitere esse posicionamento e tente encerrar o embate público entre Michelle e Flávio.

A preocupação no PL é que o vídeo em que Michelle relata ter sido desrespeitada, maltratada e humilhada por Flávio desgaste o pré-candidato à Presidência pelo PL frente aos eleitorados feminino e evangélico, simpáticos à ex-primeira-dama.

Como mostrou a CNN, aliados recomendaram a Flávio manter a "cabeça fria" ao reagir à madrasta. No fim da noite desta quarta-feira (24), o senador se defendeu pelas redes sociais e disse estar de "coração aberto" para ela.

"Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas", escreveu Flávio. "Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil."

Nos bastidores, dirigentes do partido lamentam que a crise familiar tenha vindo à tona justamente no momento em que Jair Bolsonaro pode enfrentar um novo revés judicial.

Na quarta-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes deu 48 horas para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre se a apreensão da arma de fogo do ex-presidente configura uma "falta grave" cometida por Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O caso pode ter impacto direto no pedido de prorrogação da prisão domiciliar do ex-presidente. O benefício, concedido em março por 90 dias por questões de saúde, terminou nesta quarta-feira (24).