Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Campanha de Flávio Bolsonaro trava falas de aliados para evitar deslizes

Orientação é que candidato do PL evite declarações de improviso que possam ser usadas por adversários antes do primeiro turno das eleições

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A campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, quer evitar deslizes na reta final do primeiro turno e passou a orientar cuidado máximo com declarações que possam ser usadas como munição pelos adversários, principalmente pelo PT.

A recomendação a aliados e integrantes da equipe do candidato que atuam como conselheiros na elaboração do programa de governo é evitar falas de improviso, reduzir a concessão de entrevistas e não se manifestar sobre temas que possam provocar desgaste.

A 16 dias do primeiro turno, a avaliação interna é que uma declaração mal colocada, retirada de contexto ou explorada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode custar caro.

Em outro movimento, aliados de Flávio veem a estratégia de Lula de intensificar a agenda de campanha como uma oportunidade para explorar declarações do presidente, que disputa a reeleição.

Flávio aparece em empate técnico com Lula e conseguiu recuperar parte do apoio perdido em maio, após a divulgação de um áudio no qual tratava com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, do financiamento do filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Datafolha divulgado na quinta-feira (17) mostra empate técnico entre Lula e Flávio nos dois turnos. No primeiro, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, ante 36% do candidato do PL. Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula marca 46% e Flávio, 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O desempenho é comemorado pela campanha, que considera o cenário favorável e quer evitar movimentos capazes de alterar negativamente os números nesta reta final. O objetivo no QG é conseguir se blindar da ofensiva petista e ainda terminar o primeiro turno à frente de Lula.

O PT tem ampliado as publicações nas redes sociais e as inserções na televisão contra Flávio. As peças associam o candidato do PL a Daniel Vorcaro e ao Banco Master, ao caso das “rachadinhas” e às milícias.

Na tentativa de evitar desgaste, como mostrou a CNN, Flávio Bolsonaro tenta se descolar da nova ofensiva do irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. O discurso para evitar o desgaste provocado por eventuais declarações e ações do ex-deputado é que ele tem autonomia e não atua de forma coordenada com a campanha.

Em outro episódio nesta semana, Flávio disse não ter autorizado o deputado bolsonarista Zé Trovão (PL-SC) a ir à Justiça contra o reajuste de 15,04% anunciado pelo presidente Lula para o Bolsa Família, que elevou o benefício de R$ 600 para R$ 691.

“Quero dizer que houve um deputado que acionou a Justiça para tentar barrar esse reajuste. Não foi com a minha autorização. Não concordo com isso. Ele não deveria ter entrado com a ação, mas entrou. Fez isso por conta própria. Não fui eu que pedi que ele fizesse isso”, afirmou o candidato do PL nas redes sociais.

A estratégia é manter Flávio em agendas públicas e visitas pelo país, com atenção especial ao Sudeste, região que concentra o maior número de eleitores e é considerada decisiva para a disputa.

Ao mesmo tempo, o próprio candidato deve reduzir as declarações e priorizar manifestações previamente planejadas. Na sexta-feira (18), Flávio cancelou uma entrevista à Rede Record. A assessoria de imprensa alegou motivos de agenda.