Campanha de Lula compara Flávio a Collor para rebater discurso de futuro
PT associa discurso de renovação do adversário à lembrança do confisco da poupança e à promessa de “tesouraço”

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a recorrer à memória do ex-presidente Fernando Collor de Mello para rebater o discurso do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de que ele representa mudança e o futuro nesta eleição.
A ofensiva petista busca lembrar ao eleitor que o presidente que derrotou Lula em 1989, na primeira eleição após a redemocratização, também chegou ao poder com promessas de modernização, mas deixou como marcas o bloqueio do dinheiro dos brasileiros e um governo interrompido pelo impeachment.
O movimento responde à tentativa da campanha de Flávio de apresentar o senador como representante do futuro. Como mostrou a CNN, o candidato do PL deve explorar no segundo turno o mote “um novo presidente para um novo Brasil”, reforçando a mensagem de renovação em oposição a Lula.
Em uma publicação do PT nas redes sociais, os rostos de Collor e Flávio aparecem fundidos, cercados por manchetes sobre o confisco e as propostas de corte de gastos do senador. A frase resume o ataque: “Às vezes o futuro pode ser uma volta ao passado”.
A comparação conecta duas frentes da ofensiva petista: contestar a imagem de novidade que Flávio quer construir e associar sua promessa de “tesouraço” nas contas públicas ao medo de perdas para a população.
“O Brasil já viu esse filme. A vítima no fim é sempre o povo. Lembrar para não repetir!”, diz a legenda no perfil do PT.
O embate ganha espaço quando o time de Flávio pretende explorar também o contraste de idade entre os candidatos — o senador tem 45 anos, e Lula, 80 — e apresentar as lideranças da direita eleitas neste ano como uma geração mais jovem.
Collor tinha 40 anos quando assumiu a Presidência. Na eleição de 1989, projetou a imagem de “caçador de marajás”, prometeu combater privilégios e venceu Lula no segundo turno da primeira disputa direta pelo Planalto após a ditadura militar.
A lembrança evocada pelo PT é a distância entre aquela promessa e o que veio depois. Logo no início do mandato, em 1990, o Plano Collor bloqueou parte dos recursos de poupanças, contas-correntes e outras aplicações financeiras para tentar conter a inflação. O pacote também congelou preços e salários.
A deputada Federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) reforçou a comparação em uma publicação nas redes sociais, na qual associou Flávio às medidas do presidente argentino Javier Milei.
“Ele já disse que vai fazer com o Brasil o que Milei está fazendo na Argentina: cortar aposentadorias, programas sociais e congelar salários. Esse cara é tipo um Collor de Mello: vende sonhos e vai entregar pesadelos”, afirmou a ex-presidente do PT e ex-ministra das Relações Institucionais de Lula.
O governo Collor terminou em 1992, após denúncias de corrupção e a abertura de um processo de impeachment. O então presidente renunciou antes da conclusão do julgamento, mas o Senado prosseguiu com o processo e o declarou inabilitado por oito anos para exercer função pública.



