Defesa de Flávio avisa TSE que senador segue recebendo e-mails do Missão
Advogados alertam que dados do candidato do PL seguem na base do partido mesmo após decisão da Corte de cancelar filiação fraudulenta

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, comunicou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta terça-feira (19) que o e-mail do gabinete do senador segue recebendo mensagens automáticas do Partido Missão mesmo após a Corte determinar a exclusão da filiação fraudulenta à legenda.
Na petição ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, os advogados de Flávio afirmam que a continuidade das mensagens indica que o cadastro do senador ainda pode estar incorporado às bases de dados internas do Missão, apesar da decisão judicial que restabeleceu sua filiação ao PL.
“A persistência de tais mensagens é indicativa de que, por algum motivo, o cadastro do Requerente ainda permanece incorporado às bases de dados internas do Partido Missão, a despeito da ordem desta Casa, o que pode ser de interesse para as investigações já iniciadas”, afirma a defesa de Flávio.
Na petição, os advogados pedem que as novas informações e cópias das mensagens recebidas sejam juntadas ao processo para que o TSE avalie a adoção de eventuais medidas. A defesa ainda reforçou à Corte a informação sobre uma tentativa de filiação de Flávio ao PT.
Na última quinta-feira (13), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL desde a data original e a exclusão do vínculo indevido com o Missão. O ministro também determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar o caso.
A fraude foi descoberta quando a campanha iniciou o processo de registro da candidatura de Flávio à Presidência e constatou que o sistema da Justiça Eleitoral havia cancelado seu vínculo com o PL após a inclusão de uma filiação mais recente ao Partido Missão.
A Polícia Federal abriu nesta terça-feira (18) inquérito para apurar quem foi responsável pela alteração fraudulenta. A investigação busca identificar quem cometeu a fraude e se agiu sozinho ou a mando de alguém.
Procurado pela CNN, o Partido Missão disse que identificou que alguém tentou realizar um cadastro utilizando o e-mail de Flávio, mas que isso não tem relação com a filiação. "Diante disso, foi enviado um código para confirmação da propriedade do endereço. Como a confirmação não foi concluída, nenhuma ação adicional foi tomada e o processo não avançou", diz o texto.
A legenda informou ainda que está aprimorando seus sistemas, mas que não identificaram qualquer problema na configuração atual. "A partir de agora, todas as informações precisarão ser verificadas antes de prosseguir. Nas próximas horas, inclusive os números de telefone deverão ser confirmados por meio de código", citou o comunicado.
A legenda chegou a elaborar um relatório com os detalhes da fraude. De acordo com o partido, a filiação irregular usou o e-mail oficial do senador, registrou o endereço do parlamentar como “Rua dos Bandidos, bairro dos Milicianos” e informou um CPF falso com a sequência “1234”.



