Flávio precifica reação de Lula e traça empate técnico como meta até agosto
Campanha teme que máquina pública e “pacote de bondades” alavanquem candidatura do presidente, que voltou a aparecer numericamente à frente do senador em eventual 2º turno

A melhora na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo entre eleitores independentes e mulheres, acendeu um alerta na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP).
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostra Lula com 42% das intenções de voto no segundo turno, e Flávio, 41%. No levantamento anterior, era o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que aparecia à frente numericamente com 42%, enquanto o petista tinha 40%.
Embora o empate técnico permaneça mesmo diante das "bondades" anunciadas pelo Palácio do Planalto, auxiliares do senador avaliam que o principal risco é o potencial de recuperação do petista até o início oficial da campanha.
O receio é o quanto o governo ainda pode tirar da chamada “caixa de ferramentas” da máquina pública para elevar a aprovação de Lula e, consequentemente, impulsionar suas intenções de voto.
A meta da pré-campanha, segundo interlocutores de Flávio, é manter o empate técnico até a largada oficial da disputa presidencial, diante da polarização. O pior cenário, na avaliação do entorno do senador, seria Lula abrir uma vantagem de cinco pontos percentuais antes do início da campanha.
O levantamento da Quaest ainda mostra que o governo Lula conseguiu melhorar sua aprovação. Os índices dos que aprovam o governo subiram três pontos percentuais em comparação com abril, revertendo a tendência de queda que se apresentava desde janeiro.
Agora, o presidente é desaprovado por 49% dos eleitores, enquanto 46% aprovam o trabalho do petista. Em abril, a desaprovação estava em 52%, e a aprovação, em 43%.
A melhora ocorre após o governo anunciar medidas como o novo Desenrola, voltado para renegociação de dívidas, a defesa do fim da escala 6x1 e a visita de Lula para reunião com Donald Trump na Casa Branca. O novo plano de combate ao crime organizado e a medida provisória que pôs fim à “taxa das blusinhas”, anunciados nesta quarta-feira (13), ainda não impactaram a sondagem.
Na pré-campanha de Flávio, os mais otimistas citam que o empate permanece mesmo após Lula ter gastado muita energia para evitar o crescimento do senador nas pesquisas de intenção de voto. A preocupação, por parte daqueles mais reticentes, é o quanto mais o governo buscará medidas para tentar se descolar do filho de Bolsonaro nas pesquisas.
A pesquisa da Quaest desta quarta-feira aponta que a melhora de Lula foi puxada por mulheres e eleitores independentes. Justamente os dois nichos do eleitorado que Flávio vem se esforçando para alcançar ao reforçar a imagem de moderado. O esforço do filho mais velho de Bolsonaro é se distanciar do perfil radical e não herdar a rejeição do pai.
Entre as mulheres, a aprovação do governo Lula aumentou de 45% em abril para 48% em maio, enquanto a desaprovação caiu de 49% para 44% no mesmo período. Já entre os eleitores independentes, a aprovação subiu de 32% para 37%.



