Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Flávio reage à ofensiva contra bets e chama Lula de "pai do tigrinho"

Candidato do PL associa dívidas aos jogos, promete acabar com cassinos on-line, mas admite apostas esportivas com controle

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A ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra cassinos on-line e bets, uma das bandeiras da reta final antes do primeiro turno das eleições, pressionou o candidato do PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, a buscar uma vacina contra um eventual anúncio do governo de regras mais rígidas para o setor.

Em participação no próprio podcast nesta quarta-feira (23), Flávio tentou associar as dívidas dos brasileiros às apostas feitas em cassinos on-line, que, segundo ele, cresceram por falta de fiscalização do governo petista. Na fala, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chamou Lula de “pai do tigrinho”:

“Lula trouxe dois males para o Brasil que são filhos dele: um é o Lulinha; o outro, o tigrinho. É o tigrinho que está acabando com a vida das pessoas e deixando todo mundo endividado”, disse Flávio, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O candidato do PL disse ser contra qualquer tipo de aposta, mas afirmou que, em jogos sobre resultados esportivos reais, há mecanismos de controle, buscando marcar uma diferença dos cassinos on-line, como o tigrinho.

A declaração ocorre no mesmo dia em que Lula discutiu com ministros duas possibilidades de medida provisória para impor regras mais duras ao mercado de apostas.

As opções são a proibição total das apostas, incluindo cassinos on-line, como o Tigrinho, e apostas em eventos esportivos, ou uma proibição parcial, que veta somente os cassinos e cria medidas para impedir a publicidade de apostas.

A fala também coincide com a divulgação, nesta quarta-feira, da pesquisa Atlas/Bloomberg, segundo a qual 75% dos brasileiros defendem a proibição das bets. Para 60% dos entrevistados, a atividade só traz prejuízos à sociedade.

Durante o podcast, o assunto foi levantado pelo próprio Flávio Bolsonaro, que disse ser “contra jogos de qualquer forma”. O candidato afirmou, porém, que apostas em jogos reais, como futebol, vôlei ou tênis, têm “alguma forma de controle”. Ele comparou essas modalidades à Mega-Sena e a outros jogos permitidos e legalizados.

“Lula fica fingindo que não tem responsabilidade, mas o cassino on-line foi regulamentado no governo dele. Se compararmos a quantidade de apostadores no fim do governo Bolsonaro com a de agora, veremos que esse número quase dobrou”, afirmou.

Flávio prometeu que, se eleito, acabará com o “cassino on-line” e afirmou que o controle pode ser feito com tecnologia. “Lula não combate nem fiscaliza. Todos os dias surgem novos sites de apostas que poderiam ser derrubados imediatamente, mas o governo não age”, disse.

As bets foram legalizadas no governo Michel Temer, em 2018. O então presidente sancionou a lei derivada de uma medida provisória. A legislação estabeleceu prazo de quatro anos para a regulamentação do mercado.

O tema, porém, não foi enfrentado pelo governo Jair Bolsonaro, que não cumpriu o prazo, encerrado em 12 de dezembro de 2022. Com isso, o setor continuou operando sem fiscalização e sem pagar impostos.

Em 2023, o governo Lula apresentou medidas para regulamentar, tributar e fiscalizar o mercado de bets. O texto aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente em dezembro daquele ano também incluiu os cassinos on-line, definidos na lei como “eventos virtuais de jogos on-line”.