Flávio resgata símbolos do pai em largada de campanha para engajar base
Senador vai a Juiz de Fora, onde Bolsonaro levou facada em 2018; fará atos em Copacabana e na Paulista e planeja motociatas
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência, dá início à corrida eleitoral no próximo domingo (16) recorrendo a marcas políticas do pai, Jair Bolsonaro, na tentativa de mobilizar apoiadores nas ruas durante a disputa pelo Palácio do Planalto. A estratégia passa por revisitar endereços considerados históricos na trajetória do ex-presidente e repetir gestos que ajudem a emular a imagem do patriarca do clã.
Ao longo da pré-campanha, o senador enfrentou crises de confiança na base após a revelação do áudio enviado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo dinheiro para o filme "Dark Horse", sobre a vida do pai. O atrito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, agora considerado superado, também contribuiu para o desgaste.
Aliados do senador admitem que é preciso demonstrar com imagens que Flávio foi de fato abraçado pelos eleitores do pai. Apesar de as pesquisas indicarem que o senador herda os votos do ex-presidente, há críticas de que os eventos realizados até agora não traduzem o ânimo da militância.
Para reverter isso, a estreia da campanha no domingo será na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, cenário de grandes manifestações bolsonaristas nos últimos anos. A cidade também é o berço eleitoral do ex-presidente e do senador.
Na segunda-feira (17), a previsão é que Flávio vá a Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde Bolsonaro sofreu uma facada em 6 de setembro de 2018, durante a eleição daquele ano. Em 2022, o município mineiro também foi escolhido pelo então presidente para abrir oficialmente sua agenda em busca da reeleição.
Flávio também prevê um ato de campanha na Avenida Paulista em 7 de setembro. O endereço foi palco de diversas manifestações bolsonaristas nos últimos anos e, em 2021, de um dos episódios de maior tensão entre Bolsonaro e o STF. Naquele Dia da Independência, o então presidente chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de "canalha" e disse que não cumpriria mais suas decisões.
Escolhido pelo ex-presidente, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, para representá-lo na disputa presidencial, Flávio pretende explorar o discurso de que o pai é vítima de perseguição política. O senador tem afirmado que, se vencer Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro subirá com ele a rampa do Palácio do Planalto.
Além de revisitar locais ligados à trajetória do ex-presidente, a equipe de Flávio planeja retomar as motociatas, que se tornaram uma das principais marcas das mobilizações de rua durante o governo Bolsonaro. O senador também passou a fazer lives todas as quintas-feiras, repetindo uma prática adotada pelo pai durante o governo.



