Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Lideranças veem escolha de Flávio como "balão de ensaio" de Jair Bolsonaro

Lideranças apostam em estratégia para família se manter no foco durante prisão do ex-presidente

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O anúncio de que Jair Bolsonaro (PL) escolheu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para se lançar à Presidência da República em 2026 foi encarado pelo meio político como um "balão de ensaio" do ex-presidente.

A estratégia de Bolsonaro, na avaliação de lideranças partidárias de diversas matizes, serve não apenas para testar o nome do primogênito, mas sobretudo para manter a família nos holofotes e empoderar Flávio como o porta-voz político do ex-presidente, que está preso na superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília.

O método de antecipar anúncios para testar a receptividade e reação foi usado ao longo de todo o mandato do ex-presidente. Em 2019, por exemplo, Bolsonaro disse que cogitava indicar o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, o que não se concretizou.

Nesta sexta-feira (5), a reação à confirmação do nome de Flávio veio rápido. Surpreendeu aliados, incomodou o Centrão, causou desconfiança nos adversários e sacudiu o mercado financeiro. Em reação negativa, o Ibovespa fechou em queda de mais de 4%.

Sob reserva, lideranças partidárias afirmaram à CNN Brasil que veem no anúncio precipitado de Bolsonaro uma maneira de impedir a movimentação do centro para construir uma candidatura fora da família.

Ao anunciar o filho mais velho como o nome da direita em 2026, Bolsonaro também tenta controlar a cobertura da imprensa ao jogar os holofotes para Flávio durante o recesso parlamentar e em um período de noticiário político mais esvaziado, avaliam estrategistas políticos.

Há, porém, outro recado claro no movimento desta semana. Ao mexer com a política e com o mercado, Bolsonaro quis marcar posição de que, mesmo preso em uma cela especial de 12 metros quadrados, ainda é ele quem continua dando as cartas na direita.

Para dirigentes partidários, um anúncio da pré-candidatura de Flávio está longe de ser concretizado. A avaliação é que uma definição só será tomada após o carnaval de 2026.

Até lá, parte do centro segue sonhando em viabilizar uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Todavia, o chefe do Executivo paulista só encararia a aventura com o aval de Bolsonaro.