Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

PT comemora maior associação da família Bolsonaro ao caso Master

Pesquisa Quaest apontou que parcela da população que vê família afetada pelo caso foi de 15% a 21% em uma semana; campanha de Lula seguirá reforçando estratégia de tentar ligar Flávio a Vorcaro

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou o aumento da associação entre a família Bolsonaro e o escândalo do Banco Master. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) mostra que a parcela que considera o clã afetado pela crise passou de 15% para 21% em uma semana.

Ao mesmo tempo, caiu de 46% para 37% o grupo que afirma que o caso atinge todos os personagens e instituições de forma generalizada. O levantamento mediu o impacto do escândalo na reputação de autoridades, políticos e instituições.

O desgaste, porém, não se concentra exclusivamente nos Bolsonaro. As menções ao STF (Supremo Tribunal Federal) oscilaram de 17% para 16%, enquanto as referências ao governo Lula e aos políticos do PT passaram de 9% para 11%.

Para integrantes da campanha petista, os dados indicam que o eleitor começa a diferenciar o grau de envolvimento dos citados nas investigações sobre a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

O resultado coincide com a ofensiva do PT para ligar Flávio Bolsonaro ao caso Master na reta final do primeiro turno. A campanha de Lula tem enfatizado que o senador é o único candidato à Presidência investigado no escândalo.

Flávio é alvo do inquérito que apura repasses do Banco Master para o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega irregularidades.

Na leitura dos petistas, o escândalo, antes percebido principalmente como um desgaste generalizado, começa a ser relacionado mais diretamente à família Bolsonaro. A campanha pretende explorar essa mudança para ampliar a ligação entre Flávio e Vorcaro.

O discurso será construído a partir do contraste entre os dois principais candidatos. Lula será apresentado como defensor da apuração sobre todos os envolvidos, independentemente de vínculos familiares, políticos ou institucionais. Flávio, por sua vez, será colocado na posição de investigado.

A pesquisa mostra, contudo, que a crise tem produzido mais confirmação de posições anteriores do que mudança de voto. Para 62% dos entrevistados, o episódio não influencia a escolha para presidente. Outros 26% afirmam que a crise reforça o voto já decidido, enquanto 7% admitem que ainda podem mudar de candidato.

A polarização também aparece na identificação dos atingidos pelo escândalo. Entre os eleitores de Lula, 46% afirmam que o caso afeta negativamente a família Bolsonaro. Entre os bolsonaristas, 37% apontam o governo Lula e 22% citam o STF.

A pesquisa Quaest, encomendada pela "TV Globo" e jornal "O Globo", ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.