PT mira batalha de credibilidade com Flávio para impulsionar Lula
Partido aposta em crescimento de presidente explorando crises do filho de Jair Bolsonaro

O PT aposta em uma batalha de credibilidade entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto, para ampliar a distância do petista em relação ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação do entorno de Lula é que a perda de credibilidade de Flávio se acentuou nas últimas semanas, à medida que a campanha acumulou uma série de crises. Ao mesmo tempo, na leitura petista, o presidente conseguiu acertar em medidas que ajudaram a melhorar a aprovação do governo.
A estratégia petista é justamente explorar os desgastes de Flávio e apontar contradições do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nas justificativas apresentadas para cada crise, enquanto devem investir no discurso da seriedade e confiabilidade do presidente.
Reservadamente, integrantes do PT dizem que pretendem reforçar o discurso de que Flávio mudou de versão em episódios recentes, como o áudio que mostrou o senador pedindo dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme "Dark Horse" sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro.
Também devem contrapor o discurso de Flávio em acenos às mulheres ao atrito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e às falas do aliado Paulo Figueiredo, dizendo que "mulher vota mal". E tentar empurrar a Flávio a responsabilidade pela aplicação das tarifas dos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Além disso, operações da PF (Polícia Federal) miraram aliados no Rio de Janeiro, como o ex-governador Cláudio Castro (PL). Na semana passada, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em patrimônio do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por supostamente ter feito indicação de emendas parlamentares.
Nesta semana, um novo revés: o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu Flávio de visitar o ex-presidente em prisão domiciliar por 90 dias, após o senador ler uma carta do pai nas redes sociais no sábado (11).
Na avaliação de aliados de Lula, o presidente, por outro lado, conseguiu preservar a imagem institucional ao manter a agenda voltada para ações de governo mesmo durante os embates políticos. Entre as iniciativas que pretendem explorar na campanha estão o Desenrola, as mudanças no Imposto de Renda e outras medidas econômicas adotadas pelo governo.
A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), mostrou que Lula tem 45% contra 37% de Flávio no segundo turno.
O levantamento ainda apontou que 48% dos eleitores aprovam o trabalho que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está fazendo. O percentual empata, dentro da margem de erro, com os 47% que desaprovam a gestão.
Desde o início do ano, é a primeira vez que a aprovação supera, numericamente, a desaprovação. O movimento ocorre na esteira de medidas anunciadas pelo governo Lula, como o Desenrola e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Para integrantes do PT, a melhora na aprovação do governo permite que Lula entre na disputa em uma posição mais confortável, sem precisar concentrar esforços na defesa da gestão.
A estratégia passa a ser apresentar realizações do governo e propostas para um novo mandato como forma de reforçar a credibilidade do presidente diante do eleitor.



