Republicanos caminha para rejeitar apoio a Flávio e adotar neutralidade
Partido realiza convenção na próxima terça-feira, mas líderes consideram remota a chance de aliança com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro

Lideranças do Republicanos afirmam que o partido caminha para rejeitar o apoio ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, e optar pela neutralidade na eleição nacional.
A sigla realiza convenção na próxima terça-feira (4), em Brasília, mas diretórios estaduais já sinalizaram ao presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), que não querem uma composição com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma mudança nesse cenário, segundo parlamentares da sigla ouvidos pela CNN sob reserva, seria considerada uma reviravolta.
A decisão pela neutralidade, se confirmada, amplia o isolamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Nesta sexta-feira (31), o Progressistas, que integra a federação com o União Brasil, reafirmou a liberação dos diretórios estaduais e comunicou à senadora Tereza Cristina (PP-MS) que ela não poderia ser vice em uma chapa com o PL.
Outra opção de vice para Flávio é a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que assumiu a coordenação do programa econômico do candidato do PL. Recém-filiada ao Republicanos, ela não é um nome próximo de Marcos Pereira e enfrenta resistência até mesmo dentro do grupo de Flávio, que a considera sem potencial eleitoral.
A falta de alianças, além de escancarar o isolamento político, também coloca Flávio em desvantagem no tempo de TV e rádio em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Parlamentares que atuam para o Republicanos não embarcam no projeto presidencial do primogênito de Jair Bolsonaro argumentam que a candidatura é considerada frágil, enfrenta sucessivas crises internas e ainda pode sofrer desgaste com novas revelações envolvendo o caso Master. Flávio passou a ser investigado após pedir ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro recursos para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do pai.
Aliados de Flávio, por sua vez, dizem que ainda é possível fechar uma aliança até o último minuto. Para isso, contam também com a articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos e próximo da família Bolsonaro.
Nesta sexta-feira, Tarcísio afirmou que dará apoio "incondicional" ao senador e estará ao seu lado em todas as agendas em São Paulo.
"Em todo o estado nosso apoio é irrestrito, incondicional. A gente acredita que é o melhor caminho para o Brasil e nós vamos apoiar em todos os quatro cantos do estado, aqui na capital, no interior", afirmou o governador, que disputa a reeleição.
Assim como no caso do PP, a maior resistência a Flávio no Republicanos vem de políticos do Nordeste que pretendem apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com isso, a tendência é que o partido adote a mesma fórmula: liberar os diretórios estaduais para firmar alianças tanto à direita quanto à esquerda, de acordo com as conveniências políticas de cada estado.


