Advogado de general nega ter mandado defesa para Bolsonaro e critica PF
Marcus Vinicius Figueiredo afirma que compartilhou documentos com colegas

O advogado Marcus Vinicius Figueiredo, que representa o general Mario Fernandes, afirmou à CNN que jamais enviou ao ex-presidente Jair Bolsonaro a minuta da defesa do réu da trama golpista. O militar é acusado de ser o autor do Plano Punhal Verde Amarelo, que consistia num planejamento para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
À CNN, o advogado afirmou que enviou o documento para colegas advogados e pessoas próximas, mas que não há ilegalidade em fazer isso em um processo que é público.
"Não é crime compartilhar a defesa com ninguém. Não mandei para o ex-presidente. E se tivesse enviado não tinha irregularidade nenhum. Encaminhei sim pra uma infinidade de pessoas, advogados, alunos de direito e imprensa para apresentar as explicações. Só por isso eu fiz", diz.
A PF (Polícia Federal) afirma ter identificado arquivos no celular apreendido do ex-presidente que comprovam que ele teve acesso prévio ao conteúdo da defesa do general Mario Fernandes. O general admitiu ter produzido o documento Punhal Verde e Amarelo, mas nega ter compartilhado com qualquer pessoa.
"Foram identificados dois arquivos em formato .docx salvos no aparelho celular do ex-Presidente JAIR MESSIAS BOLSONARO que guardam relação com a defesa do réu MARIO FERNANDES, autor do documento intitulado Punhal Verde Amarelo o qual descrevia o planejamento de assassinato do atual Presidente da República, seu vice e o ministro ALEXANDRE DE MORAES", aponta o documento.
Os documentos estariam salvos como "Minuta revisão final.docx" e "Agravo regimental versao final.docx".
De acordo com a investigação, não foi possível identificar quem enviou o arquivo para Bolsonaro. Porém, ainda segundo a PF, é possível verificar que o documento "Minuta revisão final.docx" foi salvo no celular do ex-presidente às 19h54 do dia 6 de março de 2025 no horário de Brasília. A defesa preliminar de Mario Fernandes foi protocolada no sistema do STF às 21h13 do mesmo dia.
Já o documento "agravo regimental", ainda de acordo o relatório da polícia, teria sido protocolado no STF 17 horas antes de ter sido baixado no celular do ex-presidente no dia 31 de dezembro de 2024.
"Conforme exposto, a submissão prévia de documentos contendo teses de defesa do réu MARIO FERNANDES, ao ex-presidente da República JAIR BOLSONARO revela a continuidade, mesmo após as medidas cautelares determinadas pelo juízo, da estrutura hierárquica e do vínculo subjetivo entre os investigados", cita a PF.
À CNN, o advogado criticou a citação de Mario Fernandes neste relatório da PF, visto que o general não é alvo da investigação envolvendo a atuação de Bolsonaro e Eduardo nos Estados Unidos.
"A PF desconhece o significado da palavra submissão. Meu cliente não é investigado nessa operação. O que causa muita perplexidade em uma colocação dessa natureza é que a PF que deveria se preocupar em apontar um elemento concreto, por exemplo, do suposto compartilhamento do Punhal Verde e Amarelo", disse.



