Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Advogado de Trump Media diz que PF distorce "correspondência profissional"

Relatório mostra que Jair Bolsonaro pediu a orientação a Martín De Luca

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O advogado Martín De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble, reagiu ao relatório da PF (Polícia Federal) que mencionou trocas de mensagens entre ele e Jair Bolsonaro (PL). De Luca acusa a investigação de tentar distorcer “correspondências profissionais rotineiras” para sugerir uma suposta “subordinação estrangeira” do ex-presidente.

"Como advogado americano, presto regularmente orientação jurídica e de comunicação. Esse é o meu trabalho. Oferecer sugestões sobre a redação de uma breve nota pública ou encaminhar um documento judicial público é absolutamente comum. Ainda assim, esses atos rotineiros agora são distorcidos e apresentados como teorias conspiratórias", disse.

De acordo com De Luca, pela lógica do relatório da PF, "qualquer político que recorra a advogado ou estrategista estaria conspirando contra a democracia".

O advogado que representa a Trump Media e a Rumble contra Moraes acusou o magistrado de conduzir “uma incansável campanha de censura” e afirmou que seguirá trabalhando “de forma transparente e profissional, sem medo”.

“A verdadeira responsabilização de Moraes não virá por relatórios policiais, mas nos tribunais dos Estados Unidos”, afirmou.

O relatório da PF aponta que Bolsonaro pediu orientações a De Luca sobre notas públicas e documentos, o que para os investigadores indicaria atuação do ex-presidente “de forma subordinada a interesses estrangeiros”.

Como um dos elementos, os investigadores mencionaram que o advogado da Trump Media enviou ao ex-presidente uma petição apresentada à Justiça dos Estados Unidos em 14 de julho. Segundo o relatório, a petição teria o objetivo de “suplementar uma ação movida contra o ministro Alexandre de Moraes”.

Para a PF, o diálogo "constitui indício relevante que evidencia desvio quanto a real finalidade das pretensões deduzidas pela empresa em face de litigância contra Ministro do Supremo Tribunal Federal".

Leia a íntegra da nota de Martin de Luca:

Nesta noite, passo a integrar um clube exclusivo de americanos que foram alvo por se levantarem contra Alexandre de Moraes.

A tentativa da própria Polícia Federal de Moraes de retratar correspondências profissionais rotineiras como prova de uma suposta “subordinação estrangeira” é apenas a mais recente manobra desesperada para mantê-lo de pé.

Como advogado americano, presto regularmente orientação jurídica e de comunicação. Esse é o meu trabalho. Oferecer sugestões sobre a redação de uma breve nota pública ou encaminhar um documento judicial público é absolutamente comum. Ainda assim, esses atos rotineiros agora são distorcidos e apresentados como teorias conspiratórias.

Seguindo essa lógica, qualquer líder político que consulte um advogado, redator de discursos ou estrategista estaria conspirando para derrubar a democracia.

A mensagem é inconfundível. Qualquer um que ouse criticar ou expor a incansável campanha de censura de Moraes será alvo — seja você advogado, cidadão americano ou alguém que fala livremente em solo dos Estados Unidos. Ou as três coisas ao mesmo tempo.

A liberdade de expressão não é concedida pelos governos; ela é inerente a cada pessoa. Como advertiu Benjamin Franklin: “Quem quiser derrubar a liberdade de uma nação deve começar por subjugar a liberdade de expressão.”

Continuarei realizando meu trabalho de forma transparente e profissional, sem medo. A verdadeira responsabilização de Moraes não virá por meio de relatórios policiais, mas sim nos tribunais dos Estados Unidos — onde ainda o aguardamos
Martín De Luca