Aliados temem que escalada dos EUA tenha efeito contrário para Bolsonaro
Receio é que mais sanções levem ex-presidente para cela fechada após condenação por plano de golpe

Aliados de Jair Bolsonaro temem que novas sanções prometidas pelos Estados Unidos após a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe tenham o efeito contrário. O temor é que a escalada americana acabe levando o ex-chefe do Executivo a cumprir a pena de 27 anos e três meses em uma cela.
O entorno do ex-presidente tenta garantir que ele possa cumprir a pena em casa.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, após descumprimento de medidas cautelares no âmbito do inquérito que envolve a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Aliados tentam que o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal), autorize que Bolsonaro siga preso em casa por causa de suas condições de saúde mesmo após condenado pela trama golpista.
Exames laboratoriais apontaram que Bolsonaro possui um quadro de anemia por deficiência de ferro, e a tomografia de tórax mostrou imagem residual de pneumonia recente por broncoaspiração. O boletim médico foi divulgado neste domingo (14), após o ex-presidente retirar oito lesões da pele.
Sob reserva, porém, aliados admitem que novas sanções contra ministros do STF podem resultar em um revés para Bolsonaro.
Pontuam ainda que Eduardo e o apresentador Paulo Figueiredo, que articulam nos EUA contra o Brasil, não têm nenhum controle sobre o tamanho da reação americana, o que torna o cenário para o próprio Bolsonaro imprevisível.
Nesta segunda-feira (15), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse durante entrevista à Fox News que o estado de direito está se rompendo no Brasil. O diplomata americano está em visita a Israel.
Ao responder a uma pergunta sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, Rubio voltou a criticar a ação do Judiciário brasileiro, sem citar diretamente o nome do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
"Bem, a resposta é que o estado de direito está se rompendo. Você tem esses juízes ativistas – um em particular – que não apenas foi atrás do Bolsonaro, aliás, ele tentou exercer reivindicações extraterritoriais até mesmo contra cidadãos americanos ou contra alguém que posta online a partir dos Estados Unidos, e na verdade ameaçou ir ainda mais longe nesse aspecto", disse o chefe da diplomacia americana.
Rubio sinalizou que os Estados Unidos poderão anunciar medidas adicionais contra o Brasil na próxima semana: "Haverá uma resposta dos EUA a isso, e é sobre isso que – teremos alguns anúncios na próxima semana ou mais sobre quais passos adicionais pretendemos tomar", disse.
O secretário de Estado americano concluiu dizendo que o julgamento do ex-presidente Bolsonaro "é apenas mais um capítulo de uma crescente campanha de opressão judicial que tentou atingir empresas americanas e até pessoas que operam a partir dos Estados Unidos."



