Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Alvo de Moraes, Flávio calibra tom contra STF para convencer como moderado

Senador quer passar imagem de aberto ao diálogo e marcar diferença do estilo do pai para evitar rejeição

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Em pré-campanha ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai calibrar o seu tom ao falar sobre o STF (Supremo Tribunal Federal), em meio à tentativa de marcar diferença do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se apresentar como um político moderado de olho em diminuir a sua rejeição.

Mesmo após o ministro Alexandre de Moraes ter determinado nesta quarta-feira (15) que a PF (Polícia Federal) abra um inquérito por suposta calúnia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio optou por uma reação comedida ao criticar a decisão do magistrado.

O senador se pronunciou apenas por meio de nota divulgada por sua assessoria, fugindo do ataque pessoal. O posicionamento não foi publicado nas redes pessoais do filho do ex-presidente.

O comunicado disse que o senador recebeu "com profunda estranheza" a decisão de Moraes e afirmou que "a medida é juridicamente frágil, uma vez que a publicação objeto do procedimento carece de qualquer tipicidade penal".

"O procedimento evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral, sob a mesma condução, impôs um flagrante desequilíbrio ao proibir termos como 'descondenado' para se referir ao petista, enquanto permitia ofensas sistemáticas contra o então presidente Jair Bolsonaro", diz o comunicado.

Relator da trama do golpe que condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão, Moraes é considerado um inimigo do bolsonarismo. Por diversas vezes, foi alvo de ataques diretos do próprio Bolsonaro e da militância nas redes sociais.

De acordo com interlocutores, Flávio Bolsonaro não deixará de se posicionar, mas evitará escalar o embate.

Primeiro, na visão deles, porque ajuda a convencer que o senador tem um estilo menos virulento e que é mais adepto ao diálogo. Segundo, porque o próprio ex-presidente, que conseguiu a transferência para uma prisão domiciliar no mês passado, orientou a evitar ataques.

Moraes determinou a abertura de investigação para apurar declarações de Flávio contra o presidente Lula, atendendo a pedido da PF e após parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Em publicação no X, em 3 de janeiro deste ano, Flávio associou o petista ao ex-presidente Nicolás Maduro, que havia sido capturado pelos Estados Unidos. "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…"