Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Bolsonaristas querem levar Alcolumbre e Motta a Trump em troca da anistia

Ideia é trabalhar por ida dos presidentes do Senado e da Câmara à Casa Branca para solução negociada; perdão aos envolvidos no 8 de janeiro seria moeda de troca

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O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, guarda uma carta na manga para negociar o apoio da cúpula do Congresso Nacional e do Centrão a dois temas centrais na agenda bolsonarista: a anistia aos envolvidos nos atos criminosos de 8 de janeiro e o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

A cartada bolsonarista é costurar uma reunião dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na Casa Branca para negociar o tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Pessoas próximas ao ex-presidente estão convencidas de que, graças à interlocução do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do jornalista Paulo Figueiredo em Washington, seria possível viabilizar um encontro de Alcolumbre e de Motta diretamente com Trump.

Os presidentes do Senado e da Câmara seriam apresentados, à opinião pública brasileira, como negociadores de uma solução para o tarifaço e receberiam os dividendos político-eleitorais de contornar uma crise para o setor produtivo.

A moeda de troca seria pautar a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado e não impor obstáculo para o avanço dos pedidos de impeachment de Moraes.

No Congresso, as chances de as duas pautas avançarem neste momento são consideradas remotas.

Segundo relatos feitos à CNN por pessoas que têm desenhado essa estratégia, além de contornar a atual resistência de Alcolumbre e de Motta a essa agenda, seria uma forma de atrair também o apoio de partidos do Centrão.

O tema tem sido conversado pelo ex-presidente Bolsonaro e a cúpula do PL em Brasília com aliados também de outras legendas.

A costura, porém, teria que passar diretamente por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, e por Paulo Figueiredo. Eles têm negociado as sanções ao Brasil com interlocutores de Trump.

À CNN, Figueiredo confirmou que a hipótese de apresentar Motta e Alcolumbre como negociadores do Brasil existe, mas desde que eles se comprometam com a anistia a todos os envolvidos na tentativa de golpe de estado. O jornalista é réu no processo da trama golpista.

"Teremos o maior prazer de levar Alcolumbre e Motta para fazer todas as pontes, mas não existe nada antes de um compromisso de pautar anistia. Sem isso não tem o que fazer com eles na Casa Branca", disse Figueiredo.

Por outro lado, diz Figueiredo, Motta e Alcolumbre podem entrar no radar da sanções de Trump, caso se alinhem a Moraes diante da aplicação de novas sanções.

O ministro já teve o cancelamento do visto americano. E a expectativa é que novas sanções sejam aplicadas, incluindo a Lei Magnitsk, que permite que os Estados Unidos imponham restrições econômicas a acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.

Na prática, o movimento articulado pelos interlocutores brasileiros da Casa Branca busca pressionar os presidente da Câmara e do Senado a avançarem com os pleitos do bolsonarismo: anistia e impeachment do ministro do STF.

Desde o anúncio do tarifaço em 9 de julho, o Centrão tem evitado um alinhamento integral à medida de Trump e se distanciado do bolsonarismo, temendo o desgaste com o setor privado e sobretudo nas eleições em 2026.

Até mesmo entre aliados de Bolsonaro há divergências sobre a atuação de Eduardo nos Estados Unidos, associando diretamente o tarifaço a um perdão ao ex-presidente.

Na terça-feira (23), o presidente da Câmara contrariou a oposição e proibiu a realização de atividades na Casa durante o recesso parlamentar.

A medida inviabilizou a realização de sessões das comissões de Segurança Pública e de Relações Internacionais da Câmara votariam matérias em apoio a Bolsonaro.

Durante o protesto da oposição, alguns deputados exibiram uma bandeira em apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que gerou atrito entre parlamentares.