Jussara Soares
Blog
Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Divergência é questão de interpretação, diz advogado de Freire Gomes

À CNN, João Rezende argumenta que ex-chefe do Exército e ex-chefe da FAB relataram em depoimento o mesmo teor das reuniões

Compartilhar matéria

A defesa do ex-comandante do Exército general Marco Antonio Freire Gomes disse que as divergências com o depoimento do ex-comandante da Força Área Brasileira (FAB) tenente-brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Júnior são "pontuais" e uma "questão de interpretação".

Os dois militares prestaram depoimento como testemunha ao Supremo Tribunal Federal (STF) na ação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado ao fim do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Na segunda-feira (19), Freire Gomes negou ter ameaçado o ex-presidente de prisão. Nesta quarta-feira (21), Baptista Júnior reafirmou que viu o então comandante do Exército dizer que, se Bolsonaro levasse o plano golpista adiante, teria que prendê-lo.

À CNN, o advogado João Rezende afirmou que os relatos dos dois militares são convergentes quanto aos acontecimentos — incluindo o conteúdo das reuniões e a posição de ambos de que o ex-presidente não poderia contar com o apoio das Forças Armadas.

"As divergências nos depoimentos são pontuais e uma questão de interpretação. É neste contexto que surgem a diferenças nos depoimentos do general Freire Gomes e do brigadeiro Baptista Junior, mas o teor de ambos é exatamente o mesmo sobre os acontecimentos", disse Rezende.

Para o advogado, o ex-chefe da FAB pode ter interpretado a ênfase do então comandante do Exército, que precisou ser mais enérgico na reunião, como uma ameaça de prisão.

Na versão de Freire Gomes, ele alertou Bolsonaro de que, caso insistisse em medidas para uma ruptura, poderia ser responsabilizado penalmente, o que levaria à prisão. Já Baptista Junior afirmou ter ouvido uma ameaça direta de prisão.

De acordo com o advogado, Freire Gomes no STF esclareceu pontos do seu depoimento prestado à Polícia Federal (PF) que acabaram ganhando mais destaque tanto no inquérito quanto na imprensa. O depoimento de 11 horas à PF ocorreu no dia 2 de março de 2024.

Em sem depoimento, Freire Gomes adotou um tom mais ameno e evitou falar em golpe. Admitiu, porém, ter sido chamado pelo ex-presidente Bolsonaro para discutir um documento, a qual ele se referiu como “estudo”. O general disse ainda que os “institutos jurídicos” permitiram uma “ruptura antidemocrática”.

Durante a audiência, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, advertiu ao militar por “falsear a verdade” e avisou sobre possíveis contradições no testemunho.