“É hora de deixar divergências de lado”, diz presidente do PT à CNN
Edinho Silva afirma que tentará reaproximar governo e Congresso

Em meio à escalada da crise entre a cúpula do Congresso e o governo, o presidente do PT, Edinho Silva, disse à CNN Brasil que "é hora de deixar as divergências de lado".
A declaração ocorre após os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), faltarem à cerimônia de sanção da ampliação da faixa do IR (Imposto de Renda) no Palácio do Planalto. A ausência evidenciou o desgaste na relação.
Edinho elogiou Motta e Alcolumbre e disse estar à disposição para colaborar na construção de uma "mesa de unidade política de interesse do povo".
“Sempre tive uma ótima relação com o presidente Hugo Motta e também com o presidente Alcolumbre. São lideranças fundamentais para esse momento da vida do país; ambos têm histórias lastreadas na democracia – e isso faz muita diferença", disse o dirigente.
"Chega de instabilidade. É hora de deixarmos de lado as divergências, temos que achar o que unifica as lideranças políticas para a construção de uma agenda para o Brasil - é isso que a sociedade espera", acrescentou Edinho.
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que este é o momento de buscar uma trégua com o Congresso e restabelecer o diálogo com os presidentes da Câmara e do Senado.
Hugo Motta anunciou nesta semana o rompimento com o líder do PT, Lindbergh Faria (PT-RJ). O presidente da Câmara já vinha insatisfeito com o que considerou uma campanha incentivada pelo governo e pelo PT contra o Congresso nos últimos meses. Porém, a repercussão após a aprovação do PL Antifacção, que teve o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator, foi considerada a gota d'água.
Já Alcolumbre, que havia se tornado um fiador do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se irritou com o fato do presidente ter insistido na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente do Senado defendia o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.
Preterido, Alcolumbre reclamou da ingratidão de Lula e também rompeu com o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA).



