EUA exigem aval a embaixador para devolver visto a diplomata brasileira
Governo Lula ainda não concedeu o agrément a Daniel Perez, indicado para ser o embaixador norte-americano no Brasil
Os Estados Unidos condicionaram a devolução do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, ao aval do governo Lula ao político republicano Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para a embaixada americana no Brasil.
A medida anunciada pelo Departamento de Estado americano equivale à expulsão da diplomata brasileira do país e inaugura uma nova frente de crise na relação entre Brasil e Estados Unidos.
O Itamaraty e o Palácio do Planalto ainda não se pronunciaram sobre o cancelamento do visto da embaixadora em Washington.
Próximo ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, Daniel Perez já teve sua indicação para o posto de embaixador no Brasil aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos. Ele ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Casa.
Como mostrou a CNN, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu segurar o aval diplomático ao novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil em meio à crise entre os dois países provocada pelo tarifaço.
O Palácio do Planalto e o Itamaraty pretendem fazer uma análise criteriosa da indicação de Daniel Perez, sem pressa e sem estabelecer um prazo para a decisão. Com isso, o pedido de consentimento oficial (agrément) do governo brasileiro pode ficar para depois das eleições deste ano.
Os Estados Unidos estão sem embaixador em Brasília desde o fim do governo Joe Biden. Um ano e meio depois, Donald Trump tornou pública a indicação de Perez para o posto, em 1º de junho.
O pedido de agrément ao governo Lula só foi enviado a Brasília duas semanas após o anúncio oficial da indicação pela Casa Branca, o que é considerado incomum na prática diplomática.
Fontes do governo Lula afirmam que a presença de um embaixador americano no Brasil é importante, mas lembram que não há pressa para conceder o aval ao indicado, já que a própria gestão Trump levou um ano e meio para fazer a indicação.



