Ex-comandante da Marinha foi preso em ação discreta em hotel em Brasília
Força silenciou sobre prisão de almirante Almir Garnier, condenado a 24 anos por plano de golpe

Condenado a 24 anos por participar de um plano de golpe de Estado, o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, de 65 anos, foi preso na tarde de terça-feira (24) em um hotel em Brasília em uma operação discreta que envolveu a PF (Polícia Federal) e militares da Força que chefiou entre abril de 2021 e dezembro de 2022.
O ex-comandante, acusado de colocar as tropas à disposição para que o ex-presidente Jair Bolsonaro desse um golpe para se manter no poder, cumprirá a pena na Estação de Rádio da Marinha, no Distrito Federal.
O mandado de prisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi cumprido por policiais federais e acompanhado por militares, conforme prevê o Estatuto dos Militares.
A Marinha silenciou sobre a ação. Nenhuma declaração foi emitida, evidenciando o desconforto na Força.
Foi uma covardia, disse um militar sob reserva à CNN. Quem prendeu o ex-comandante foi a PF, afirmou outro à reportagem. A Marinha fez o que foi determinado apenas, disse um terceiro.
A postura da Marinha marca uma diferença em relação ao Exército na prisão dos generais e ex-ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa).
Como mostrou a CNN, os detalhes da prisão dos generais foram acertados pela cúpula do Exército com Moraes e a PF para evitar exposição. Sob reserva, integrantes da Força disseram que a coordenação antecipada reduziu constrangimentos.
Graças a esse acerto, os ex-ministros não foram presos por policiais federais. Os dois foram abordados em casa, em Brasília, por militares e acompanhados por generais quatro estrelas na tarde desta terça-feira (25), como adiantou a CNN.
A abordagem foi feita pelos generais Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior do Exército, e Luiz Fernando Estorilho Baganha, chefe do Departamento-Geral de Pessoal. Eles ficaram responsáveis pela custódia dos dois ex-ministros, que permanecerão presos em salas do Comando Militar do Planalto.
Após a prisão, o Exército divulgou uma nota à imprensa confirmando a custódia. "Após os procedimentos penais previstos, os generais encontram-se em instalações dessa Unidade Militar. A rotina dos Oficiais-Generais seguirá as normas vigentes aplicadas à custódia de militares em organizações do Exército", afirmou.



