Generais Heleno e Paulo Sérgio podem manter contato em prisão no quartel
Ex-ministros estão custodiados ao chefe do Departamento de Pessoal do Exército; general Luiz Fernando Baganha já chefiou segurança de Bolsonaro

Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, que começaram a cumprir pena em regime fechado pela tentativa de golpe de Estado, podem manter contato no CMP (Comando Militar do Planalto), onde estão presos em Brasília desde terça-feira (25).
Os ex-ministros do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e da Defesa estão detidos em salas de Estado-Maior no prédio principal do CMP. Embora as acomodações não sejam próximas, Heleno e Paulo Sérgio podem se encontrar durante as refeições e no horário de banho de sol.
A restrição de contato entre os integrantes do núcleo 1 do plano de golpe havia sido revogada em junho pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após a conclusão da fase de interrogatórios.
Os generais estão presos em quartos com cama de solteiro, um frigobar, uma escrivaninha e acesso à TV aberta. O Exército não tem divulgado detalhes da prisão para evitar a exposição dos ex-ministros.
Heleno e Paulo Sérgio estão custodiados ao general de quatro estrelas Luiz Fernando Estorilho Baganha, chefe do Departamento-Geral de Pessoal.
Baganha foi chefiado por Heleno no governo Jair Bolsonaro. Entre janeiro de 2019 e julho de 2021, o atual chefe do DGP foi secretário de Segurança e Coordenação Presidencial, subordinado ao GSI.
Como mostrou a CNN, Heleno e Paulo Sérgio foram detidos em casa em uma operação conduzida por Baganha e pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior do Exército.
Hoje à frente do segundo cargo mais importante da Força Terrestre, general Montenegro foi chefe de gabinete de Paulo Sérgio quando ele comandou o Exército entre 31 de março de 2021 e 1º de abril de 2022.
A situação é considerada desconfortável entre militares.
Para evitar a exposição de Heleno e Paulo Sérgio, os detalhes da prisão foram acertados na semana passada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e pela PF (Polícia Federal).
Graças a esse acerto, os ex-ministros não foram presos por policiais federais. Eles também não foram levados ao IML (Instituto Médico Legal) para o exame de corpo de delito, que acabou sendo realizado no próprio CMP, acompanhado por policiais federais.
Augusto Heleno, de 78 anos, foi condenado a 21 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e a 84 dias-multa, cada um no valor de um salário mínimo à época dos fatos.
Paulo Sérgio Nogueira, de 67 anos, foi condenado a 19 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e a 84 dias-multa.



