Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Governo minimiza declarações de Lula e Trump antes de encontro

Brasileiro falou sobre uso de "moeda local"; americano citou tarifaço para carnes

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Integrantes do governo brasileiro minimizam as recentes falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump às vésperas da reunião prevista para acontecer neste domingo (26), na Malásia. O encontro tem como objetivo discutir uma saída para a crise entre Brasil e Estados Unidos.

A avaliação é de que nem a fala de Lula, que voltou a defender o comércio em moedas locais entre os países dos Brics e nem o comentário de Trump, que declarou que a tarifa de 50% sobre a carne brasileira salvou a pecuária americana, têm potencial para comprometer as negociações.

Lula, ainda segundo essas fontes ouvidas pela CNN, apenas reforçou uma defesa antiga e já conhecida, enquanto Trump mirou o público interno. As declarações, porém, soaram indigestas.

Apesar da sinalização positiva de Brasil e EUA para a conversa, a agenda entre os dois presidentes ainda não foi oficialmente confirmada. Nem sequer um protocolo para a eventual reunião foi divulgado.

Nesta quinta-feira (23), durante o fórum econômico em Jacarta, capital da Indonésia, Lula voltou a defender o comércio em moedas locais, sem uso do dólar, entre os membros dos Brics. Em julho, Trump havia dito que o grupo estava “tentando destruir o dólar”.

“Nós queremos multilateralismo e não unilateralismo. Nós queremos democracia comercial e não protecionismo. Tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercialização entre nós dois com as nossas moedas. Essa é uma coisa que nós precisamos mudar”, disse Lula.

Diplomatas admitem que a menção às moedas locais poderia ter sido evitada, mas ponderam que a fala tem alcance limitado.

Segundo integrantes do governo, a declaração trata da possibilidade de negociação em moeda local entre dois países, como já ocorre com a Argentina. Argumentam, porém, que não se trata de uma defesa da desdolarização, já que a moeda americana continua sendo a preferida para o comércio internacional.

Um dia antes de Lula defender o comércio sem o dólar, Donald Trump disse que os criadores de gado dos Estados Unidos estão se beneficiando das tarifas que ele impôs sobre as importações e citou o Brasil como exemplo.

“Os criadores de gado, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo tão bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu coloquei tarifas sobre o gado que entra nos Estados Unidos, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, escreveu em uma postagem no Truth Social.

Para o governo brasileiro, Trump apenas usou o Brasil como exemplo ao responder a um questionamento do agronegócio americano.