Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Lula leva combate às facções a Trump para conter discurso da oposição

Brasileiro defendeu reforçar cooperação com EUA e relatou ações contra o crime organizado no país

O presidente dos EUA, Donald Trump e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva  • Ricardo Stuckert/Divulgação
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A inclusão do combate ao crime organizado na conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (2) foi uma estratégia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para blindar a relação entre eles da ofensiva da oposição.

A preocupação é que o tema, uma das bandeiras reivindicadas pela oposição, pudesse ser usado em mais uma tentativa de contaminar o diálogo entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca.

Ao se antecipar no debate e pedir a cooperação de Trump, Lula, segundo assessores, encurta o espaço para a ação bolsonarista que frequentemente acusa o governo petista de ser leniente com o crime organizado. Além disso, os dos países tem uma acordo histórico de cooperação nessa área.

Após meses de crise impulsionada pela ação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do jornalista Paulo Figueiredo, o Itamaraty celebra o restabelecimento do diálogo e aponta como o mais importante os contatos regulares de alto nível, ou seja entre os dois presidentes.

Para além da escalada da tensão entre Estados Unidos e Venezuela, a iniciativa de Lula também é um recado interno em meio à disputa com a oposição pela pauta da segurança pública.

O governo enviou ao Congresso nos últimos dois meses projetos para endurecer o combate ao crime. A PEC da Segurança Pública, cujo relatório deve ser apresentado nesta quinta-feira (4) pelo deputado Mendonça Filho, e o PL Antifacção, que após ser alterado na Câmara com a relatoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), deve ser votado nesta semana no Senado.

Políticos de direita acusam a gestão Lula de elaborar propostas fracas e que permitem a impunidade. Além disso, insistem em igualar facções a organizações terroristas. No texto aprovado na Câmara, a equiparação ficou de fora, mas houve endurecimento de penas.

Já o governo Lula defende asfixiar financeiramente as organizações criminosas e investir no trabalho de inteligência. De acordo com nota do governo brasileiro, Lula defendeu a Trump o reforço da cooperação com os Estados Unidos.

"O presidente Lula igualmente ressaltou a urgência em reforçar a cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado internacional. Destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal com vistas a asfixiar financeiramente o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior. O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas", informou o comunicado.

Em publicação nas redes sociais, o presidente americano classificou a ligação com Lula como "muito produtiva" e ressaltou que discutiram comércio, ações para o combate ao crime organizado e as sanções contra autoridades brasileiras.

"Muitas coisas boas virão dessa parceria recém-formada", disse Trump.

Como mostrou a âncora Débora Bergamasco, Lula falou sobre sua preocupação com a escalada da tensão entre Estados Unidos e o território venezuelano. O brasileiro mais uma vez se colocou à disposição para atuar como possível facilitador de diálogo entre Trump e o ditador Nicolás Maduro.