Passou da hora do STF enfrentar limites da delação, diz autor de ação do PT
Advogado Marco Aurélio Carvalho elogia ação de Moraes de enviar caso para julgamento ainda que "tardiamente"

Um dos autores da ação do PT que questiona os limites da delação premiada, o advogado Marco Aurélio Carvalho, do grupo Prerrogativas, disse aprovar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que nesta quarta-feira (8) enviou o processo para julgamento em plenário, ainda que "tardiamente".
A ação foi apresentada em 2021, mas foi desengavetada por Moraes em meio à expectativa de colaboração premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por fraude financeira.
Moraes pode ser um dos citados pelo ex-banqueiro, caso avance o acordo. O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, recebeu R$ 80,2 milhões do Master em 22 meses, conforme dados repassados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.
Os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques também têm sido alvo de questionamentos por um suposto relacionamento com Daniel Vorcaro.
"Reconheço, louvo e aplaudo a decisão do ministro Moraes de levantar esse debate, ainda que tardiamente. Os motivos para trazer essa pauta agora cabem a ele explicar, mas passou da hora de o Supremo enfrentar essa questão", disse Carvalho à CNN.
A ação do PT é assinada também pelos advogados Lenio Streck, André Trindade e Fabiano Santos, ex-presidente dos Correios.
Marco Aurélio Carvalho afirmou ainda que o objetivo não é acabar com o instituto da delação, mas evitar que ele seja usado fora de seu propósito e que seja interpretado conforme a Constituição Federal.
"O Grupo Prerrogativas não abre mão da coerência. Seja Vorcaro, Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, no plano de golpe) ou Leo Pinheiro (ex-presidente da OAS, na Lava Jato), independentemente dos alvos, dos delatados ou dos delatores, o grupo sempre externou preocupação com a vulgarização do instituto da delação e defendeu que é fundamental uma revisão", justificou.
A ação proposta pelo PT, que questiona os limites da delação, pede que o STF fixe parâmetros para a colaboração. A sigla argumenta que os depoimentos dos colaboradores, ainda que corroborados por outras delações, não sejam o único fundamento para prisões, bloqueio de bens ou sentença condenatória. A ação também requer que o alvo da delação possa se manifestar após a declaração do colaborador da Justiça.
Outro ponto é o pedido para que os benefícios ao delator estejam previstos em lei e para que seja considerado nulo o acordo de delação firmado com réu em prisão cautelar, sob o argumento de ausência de voluntariedade.
Após Moraes liberar a ação para julgamento, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, marcar a análise no plenário físico.



