Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Pensamento não gera responsabilidade, diz defesa de Mario Fernandes à CNN

Um dia após general assumir ao STF ter digitalizado "estudos", advogado sustenta que militar “não pensou” assassinatos

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Um dia após general Mário Fernandes assumir ao STF (Supremo Tribunal Federal) ter digitalizado estudos sobre a morte de autoridades no plano de golpe, o advogado sustenta que militar “não pensou” assassinatos.

O argumento do advogado Marcus Vinicius Figueiredo é de que o ex-número 2 da secretaria-Geral da Presidência do governo Bolsonaro apenas admitiu que o documento encontrado no HD externo era dele.

Em depoimento nesta quinta-feira (24), Mario Fernandes disse que o plano apontado pela Procuradoria-Geral da República não passava de um “pensamento”, um “estudo de situação” que foi digitalizado sem ser apresentado a qualquer pessoa.

“Esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilar de dados, um estudo de situação meu, uma análise de riscos que eu fiz e por costume próprio resolvi digitalizar. Não foi apresentado a ninguém e nem compartilhado com ninguém”, disse Fernandes.

Para Figueiredo, a declaração do general não é um fato novo nem mesmo uma admissão de autoria de um plano de assassinato de autoridades, como descreve a denúncia.

"O general nunca disse que fez um plano para matar alguém. Ele apenas reconheceu que o documento encontrado no HD era dele. E sobre isso não é fato novo", disse à CNN.

O advogado afirma que, mesmo que a ideia de matar autoridades tivesse passado pela cabeça do general, isso não seria motivo para incriminá-lo.

"Vamos partir do pressuposto, em tese, que o general tivesse pensado em matar alguém, mas ele não pensou: pensamento não gera responsabilidade penal", argumentou.

Figueiredo também disse que o documento “Punhal Verde e Amarelo” não tem conexão com planos citados na denúncia, como o “Copa 22” e o “Operação Luneta”.

Segundo ele, uma perícia será contratada para demonstrar que o documento encontrado com o general não foi compartilhado com outros envolvidos na trama golpista.

"Vamos apresentar uma perícia que vai reforçar com metadados que esse documento não foi compartilhado, nem teve relação com ‘Copa 22’ nem Operação luneta", destacou.

Punhal verde amarelo

De acordo com a Polícia Federal, o plano “Punhal Verde e Amarelo” consistia no planejamento das mortes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Alexandre de Moraes.

A defesa de Mario Fernandes nega: "Não há referência ao ministro Moraes", diz.

No documento encontrado no equipamento do general são citados "alvos possíveis". Segundo a investigação, Lula é tratado pelo codinome "Jeca" e Alckmin de "Joca". Há ainda referência a um "Juca", mas a PF não apontou quem seria.